Álvaro pede que Câmara deixe corporativismo
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sábado, 15 de março de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A crise instalada na Câmara de Londrina - com denúncias de favorecimento pessoal contra vários vereadores - não pode respingar na instituição. Essa é a opinião do senador Álvaro Dias (PSDB), que diz que os vereadores devem deixar o corporativismo de lado e até ajudar nas investigações do Ministério Público. ''Não deve ser tomada uma atitude contemplativa (com relação às investigações) porque isso vai comprometer toda a instituição (Câmara). O caso deve ter transparência absoluta, é preciso cortar na própria carne'', avaliou.
O senador esteve na cidade na sexta-feira, quando participou da posse do Conselho Regional de Contabilidade. Na sua avaliação, o caso vai refletir diretamente nas eleições municipais e os eleitores devem dar maior importância a ética e à honestidade. ''É preciso separar o joio do trigo. O eleitor deve optar pela renovação em cima do que é podre, deve valorizar os corretos e agir de forma implacável com os incorretos'', disse. Na sua opinião, não deve ser levado em conta o tempo de vida pública, mas sim a qualidade.
Ele também acredita que o excesso de parlamentares contribui para reduzir a ''qualidade'' dos representantes. Para mudar isso, Álvaro afirmou que já apresentou projeto para reduzir esse número e corrigir distorções sobre a proporcionalidade entre o número de habitantes do município e as vagas disponíveis. Além disso, o senador também é autor de um projeto que determina votação aberta em matérias de cassação de mandatos.
Mas, batendo na tecla da ''qualidade'', o PSDB local não fará inovações nas próximas eleições municipais. O candidato a prefeito será novamente o deputado federal Luiz Carlos Hauly, derrotado por três vezes consecutivas. ''O Lula também foi candidato por três vezes e foi eleito. A cidade passou por momentos difíceis nos últimos anos e precisa de alguém com experiência política e administrativa'', avaliou. Ele disse que - se usado com inteligência - o fato de o deputado ter disputado várias eleições pode ser trabalhado a seu favor.
''Em primeiro lugar, o eleitor deve acreditar que é possível, que pode ser eleito. Só que dois turnos são duas batalhas, com estratégias diferentes para convencer o eleitor a acreditar na vitória'', comentou Álvaro. Na sua opinião, nem todos os políticos devem ser trocados em favor da renovação. ''Pessoas que já estão há vários anos na atividade pública e não têm manchas já estão testadas. A maior parte dos mensaleiros eram novatos. Só é honesto quem já teve a oportunidade de ser corrupto'', compara.
Sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada para investigar o uso de cartões corporativos, o senador disse ser uma ''tragédia anunciada''. ''Não se admite a oposição negociar com o governo para investigar o próprio governo. O governo assumiu a liderança, deu as cartas e escolheu a maioria dos membros'', comentou. Segundo ele, está se cumprindo apenas ''ordens'' do governo, sem convocações, mas convites para depoimento e, portanto, sem valor jurídico.


