"Álvaro nos usou até o último momento"
Leandro Donatti
Mauro FrassonTony Garcia: Tanto em 90 como em 94, fui candidato de mim mesmo. O PRN não tinha estrutura partidáriaFolha - Que primeira proposta o senhor pretende defender, se eleito?
Tony Garcia - Igualdade de tempo de mandato para o senador, de quatro anos. É muito tempo para uma pessoa ficar sem prestar contas para o povo.
Folha - O senhor acumula duas derrotas. O que faltou nas outras eleições?
Tony Garcia - Tanto em 90 como em 94, fui candidato de mim mesmo. O PRN não tinha estrutura partidária. Fiz 685 mil votos na primeira vez e em 94, quase um milhão, sozinho.
Folha - O senhor acha que este quadro é diferente hoje?
Tony Garcia - Tenho bem mais apoio. Estou num partido que tem 13 deputados entre federais e estaduais. Um partido consolidado em todo o Estado, forte.
Folha - Que garantia o senhor tem que este partido vai lhe apoiar?
Tony Garcia - Nenhuma. Garantia é uma coisa muito complicada. O Álvaro é uma pessoa que tem história no Paraná. Ninguém pode subestimar isso. Ele tem um passado de ex-governador, que deixou muitos aliados. Já me disse que não tem como negar um pedido de apoio do Osmar Dias, e eu vou respeitar.
Folha - Mas uma atitude como esta não estimula dissidências e enfraquece a sua campanha?
Tony Garcia - Não. A atitude do Zucchy é de grandeza. Ele me contou o que vai fazer, não me traiu pelas costas. Em política, não adianta forçar apoio, coligação, alianças branca, preta ou cor-de-rosa.
Folha - A sua relação com o ex-governador não é mais a mesma. Como o senhor pretende se comportar durante a campanha?
Tony Garcia - Ele é o mais forte candidato ao Senado, eu sei, mas ninguém lembra o que ele fez enquanto ficou no Senado. O comportamento dele é que me levou a mudar minhas atitudes. O comportamento que ele teve para com o partido e principalmente com o (José) Janene. Ele expôs o presidente do nosso partido a conflitos sérios com o governo.
Folha - O ex-governador deu esperanças para que vocês fossem para a oposição?
Tony Garcia - Não só esperanças. Ele fez bem pior. Já tinha feito o acordo desde janeiro. O Maluf nos falava que ele não era candidato e para nós ele batia na tecla que nos daria o Senado e a vice, se não tivesse outros partidos coligados. No dia 30 (de junho) me ligou às 9 horas da manhã ainda dando esperanças que às 2 horas da tarde anunciaria sua candidatura ao governo. Fui para a reunião, gostei da idéia porque tiraria um adversário pesado da eleição para o Senado. Só depois é que descobri que foi o tempo que o Álvaro precisava para chantagear o governo a não lançar candidato ao Senado. Ele nos usou até o último minuto da convenção.
Folha - Quem mais saiu ganhando nesta história do acordo branco?
Tony Garcia - Quem perdeu foi o povo do Paraná. Quem saiu em vantagem, eu não sei. O eleitor não é bobo. E vai saber distinguir os reais motivos que o levaram a desistir de concorrer ao governo.
Folha - Qual dos candidatos ao governo está melhor preparado?
Tony Garcia - Os dois estão, tanto o Requião quanto o Lerner. Não defini ainda quem é o meu candidato. Vou apoiar quem me apoiar. A eleição é difícil e eu não vou ficar na mesma posição do Álvaro, de não ter nenhum candidato, para disputar espaços com ele. Pretendo marcar posição e ter um candidato ao governo. Sou contra acordos brancos, pretos e rosas. Eu não vivo de política, se não der para me eleger, parto para outra.
Folha - O senhor vive do quê?
Tony Garcia - Sou empresário da construção civil e da área de comercialização de petróleo.
Folha - Em 94, o senhor ganhou muitos votos pela sua aparência. O senhor pretende investir no visual para conseguir votos?
Tony Garcia - O visual de uma campanha é agradável para todo mundo. Todo mundo gosta. Na época eu consegui muitos votos, eu era o mais moço candidato. O período também ajudou, era de mudança, do governo Collor. Havia espaço para este apelo. Mas acho que isso mudou. Eu estou mais maduro, tenho outra consciência. Eu criava imagens fortes pelo pouco tempo que possuía.
Folha - Qual a sua relação com o PRN hoje?
Tony Garcia - Sou amigo do fundador do partido, que é o Daniel Tourinho.
Folha - O senhor não tem medo de lhe vincularem ao ex-presidente Fernando Collor?
Tony Garcia - Em 94, tentaram me vincular e não conseguiram. Tentaram de todo jeito.
Folha - E ao escândalo do Consórcio Garibaldi?
Tony Garcia - Nunca tive relação alguma. Era muito amigo da família proprietária (Libretti). Fui um colaborador para que a empresa conseguisse espaço em Brasília. Eu era genro do ex-governador Ney Braga e consegui muitas coisas para que eles se consolidarem nacionalmente. Eles cresceram muito e não tinham estrutura política. Nós atendíamos o Consórcio Garibaldi. Tínhamos empresas que prestavam serviços. Eles nos davam a preferência porque tínhamos as melhores condições e vínculo de amizade.
Folha - Mas então o que aconteceu?
Tony Garcia - A pressão política querendo a intervenção do consórcio foi muito pesada, para os meus adversários pudessem usar isso durante a campanha de 94. Falavam que a empresa era minha. Eles desconheciam que a minha relação era puramente de amizade. Estou esperando um desfecho judicial para processar a comissão do Banco Central que envolveu ilicitamente o meu nome.





