O senador Alvaro Dias (PSDB) classificou ontem de ‘‘boatos’’ as informações de que ele estaria indo para o PTB para ser vice de Ciro Gomes (PPS) nas eleições presidenciais do ano que vem. ‘‘Fico no PSDB e o partido já tem nomes para a sucessão presidencial’’, enfatizou, após abrir um seminário com lideranças regionais do partido, em Maringá.
Anteontem, em Foz do Iguaçu, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes preferiu desconversar quando foi questionado sobre um possível acordo com o senador paranaense. ‘‘O nome do vice será escolhido na última hora, porque é natural no presidencialismo que a chapa se conclua somente na iminência das convenções nacionais’’, afirmou – sem descartar um diálogo com o tucano.
Alvaro ponderou ontem que se a ‘‘opinião pública’’ não mudar, ele será candidato ao governo do Estado e o irmão, Osmar Dias (PSDB), ao Senado. ‘‘O partido me coloca como candidato baseado na opinião pública’’, disse. ‘‘Queremos ouvir as bases em todo o Paraná para uma decisão sobre as candidaturas e também os projetos de governo’’, acrescentou.
Depois que assinou o pedido de criação da CPI da Corrupção no Senado, Alvaro tem recebido muitos convites para trocar de sigla. ‘‘(Mas) nem eu ou o Osmar vamos deixar o partido’’, insistiu. O irmão Osmar, no entanto, confirmou na semana passada que não descarta uma possível saída do ninho tucano. Um dos convites que ele recebeu foi de Roberto Requião, candidato declarado ao governo do Estado pelo PMDB.
Alvaro destacou ontem que, como presidente estadual do PSDB, está conversando com muitos partidos, mas ainda é prematura a formação de aliança. ‘‘Acho cedo para qualquer aliança no Paraná, mesmo porque os partidos que podem estar conosco pensam em candidatura própria’’, explicou.
O senador também não deixou escapar a oportunidade de tecer críticas ao governo de Jaime Lerner (PFL) no Paraná. Por causa da crise no Estado, segundo ele, o próximo governador terá muita dificuldade em administrar. ‘‘O Paraná caminha na mão inversa do resto do País e hoje é o Estado mais inadimplente do Brasil’’, acusou.
Para Alvaro, recuperar as finanças estaduais será uma ‘‘missão terrível’’. ‘‘Mas já estamos conversando com as bases para um programa que venha da população’’, afirmou. O encontro de Maringá é um dos que o partido realiza no Estado, para recolher propostas. Cada município ou comunidade, segundo o senador, vai formar uma comissão para captar as propostas. ‘‘O atual governo descarrilhou o Estado, e vamos discutir como colocar o Paraná de novo nos trilhos’’, atacou.
O encontro de Maringá reuniu cerca de 500 pessoas e 50 prefeitos da região. O principal apelo do partido é que as lideranças se posicionem contra o que o senador chamou de ‘‘desmonte’’ da coisa pública. ‘‘Já venderam boa parte do setor estratégico, e não podemos permitir agora a privatização da Copel’’, apelou. Para Alvaro a qualidade de vida da população depende das empresas públicas que são ‘‘empurradas’’ para a iniciativa privada.

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