Alvaro entrega ao MP prestação de contas de campanha
O senador Alvaro Dias (PSDB), presidente estadual do partido, encaminhou ontem ao Ministério Público (MP), em Maringá, documentos com a prestação de contas de sua campanha, em 1998, já aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A iniciativa foi tomada em resposta às declarações do ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, que em depoimento à Justiça Federal no dia 23 de fevereiro disse que o dinheiro desviado da prefeitura foi injetado nas campanhas de Alvaro e do governador Jaime Lerner (PFL).
A principal acusação que Alvaro quer derrubar é sobre o fretamento de um avião da empresa San Marino, quer pertenceu ao empresário-doleiro de Londrina Alberto Youssef. Segundo Paolicchi, este serviço teria custado mais de R$ 200 mil à prefeitura. Alvaro disse que os documentos estão autenticados e trazem comprovantes de doação de horas-vôo da utilização do taxi aéreo.
Jamais omiti a utilização dessas horas-vôo. A existência de documentos de doação afasta a possibilidade de alguém alegar que houve pagamentos, afirmou o senador. O tesoureiro da executiva estadual do PSDB, Edson Gradia, foi ontem a Maringá para entregar os documentos ao MP. De acordo com ele, foram usadas 14 horas de taxi aéreo, o equivalente a cerca de R$ 20 mil, cedidas pela San Marino.
Em nota oficial enviada pelo diretório estadual do PSDB, Alvaro esclarece que os documentos referentes à doação de horas-vôo estão datados de 2 de outubro de 98, dois dias antes do pleito. A nota diz ainda que o Comitê Central do PSDB, sediado na Capital, foi o único responsável pela administração da campanha, sem transferência de funções a outros filiados ou não ao partido no interior do Estado.
Para o senador, o objetivo de Paolicchi em seu depoimento foi de autodefesa e teve natureza política. Foi uma tentativa de enganar a opinião pública e a Justiça, avaliou. E o réu, em um processo, sequer tem o compromisso legal de dizer a verdade, frisou. Por isso, Alvaro repudia o depoimento de Paolicchi e classifica como levianas, desonestas e irresponsáveis estas declarações.
O senador não acredita que tais afirmações possam comprometer seu nome. Tenho 30 anos de vida pública, de lisura e honestidade, afirmou. Alvaro pretende disputar o governo do Estado em 2002. Ele aproveitou para rebater a declaração do governador que disse, na semana passada, que os culpados pelos desvios estão na oposição. Lerner afirmou ainda que não apoiou a campanha do ex-prefeito Jairo Gianoto que era do PSDB e atualmente está sem partido.
Para Alvaro, as afirmações de Lerner são ridículas. Essas declarações não podem ser consideradas. Até porque no dia seguinte foram publicadas fotos (em jornais) desmentindo o que ele disse. Ele se refere a uma foto em que Lerner aparece ao lado de Paolicchi, Gianoto e João Carvalho Pinto, que teria coordenado a campanha do governador na região de Maringá.
Alvaro também solicitou à Justiça Federal cópia do depoimento do ex-secretário. Mas a transcrição que a princípio ficaria pronta ontem deverá ser disponibilizada apenas amanhã.
O secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, também espera para hoje ou amanhã a cópia do depoimento de Paolicchi, que o Palácio Iguaçu solicitou três vezes à Justiça Federal em Maringá. O governo vai analisar o teor das revelações e só então vai definir que medidas poderão ser tomadas. O Palácio Iguaçu sustenta que as afirmações de Paolicchi são inverídicas. (Colaborou Marcos Zanatta, de Maringá).





