Alvaro é um dos relatores da Lei Fiscal
Leandro Donatti
De Curitiba
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) será um dos relatores da Lei de Responsabilidade Fiscal que tramita no Senado. Alvaro vai relatar a proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a matéria continua aos cuidados do senador Jefferson Péres (PDT-AM). A nomeação de Alvaro saiu ontem e foi feita pelo presidente da CCJ, senador Agripino Maia (PFL-RN) que, na tarde de anteontem, reuniu-se em Brasília com a comitiva de governadores que pressiona por mudanças no texto da Lei Fiscal.
Pretendo manter o texto como está, avisou o senador paranaense. Alvaro disse que passa o próximo final de semana em Brasília debruçado sobre a lei, analisando item por item da proposta avalizada pela Câmara. Alvaro disse que o trabalho não será nada fácil, principalmente por conta da pressão que se faz em torno do projeto. Segundo ele, as abordagens já começaram ontem mesmo, minutos depois de sua designação. O prefeito de Recife, Roberto Magalhães (PFL), vê incongruências entre a Lei Fiscal e a Lei Amin (que limita os gastos das Câmaras Municipais), exemplificou.
Alvaro disse que se houver repetições de dispositivos em outras leis, está disposto a suprimir os artigos, mas ressaltou que não pretende acolher nada que retarde a vigência da lei. O relator da Lei Fiscal na CCJ domina a matéria. Em abril de 1999, Alvaro apresentou projeto idêntico, que foi arquivado com a aprovação do projeto elaborado pelo governo federal.
O senador disse que a sua proposta era mais rigorosa que a de Fernando Henrique, porque atingia todos os entes da Federação. Apresentei o projeto por considerar que a gastança irresponsável dos administradores brasileiros se constitui no maior problema do País, argumentou. É preciso coibir o déficit público a qualquer custo e isso só será possível com uma lei como esta da Responsabilidade Fiscal, que puna o mau gerenciamento das finanças públicas, coloque freio nos gastos excessivos, e que impeça a contratação de funcionários sem concurso, emendou o senador, ontem.
A indicação de Alvaro pegou de surpresa os aliados do governador Jaime Lerner (PFL), um dos líderes da caravana que foi a Brasília. Adversário político de Lerner no Paraná, Alvaro foi um dos primeiros a condenar o movimento dos governadores. Segundo ele, os governadores estão querendo flexibilizar a Lei Fiscal em proveito próprio. Os governadores rebatem dizendo que são 100% favoráveis ao controle, mas que a Lei Fiscal precisa de ajustes.
Tal foi o desconforto que o Palácio Iguaçu se silenciou diante da indicação. Lerner aproveitou parte do dia para fazer uma análise da reunião dos governadores com o presidente Fernando Henrique, ACM e Michel Temer. Na avaliação do governador do Paraná, a conversa foi boa com os três e que as mudanças na Lei Fiscal serão tocadas por comissão integrada por ele, Mário Covas (São Paulo); César Borges (Bahia). Lerner voltou a afirmar que as alterações não são para afrouxar a Lei Fiscal, mas para torná-la aplicável.Indicação do senador paranaense surpreende Palácio Iguaçu, que espera alterações para tornar lei aplicável
Arquivo FolhaTAXATIVOAlvaro: É preciso coibir o déficit a qualquer custo e isso só será possível com uma lei que puna o mau gerenciamento





