Alvaro e Requião vieram do mesmo grupo
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sábado, 26 de outubro de 2002
Mari Tortato<br>Agência Folha 
Curitiba Se Luiz Inácio Lula da Silva for eleito presidente, o Paraná terá um governador alinhado com o governo federal seja qual for o escolhido pela população paranaense. E Roberto Requião (PMDB), 61 anos, e Alvaro Dias (PDT), 57 anos, que apóiam Lula no segundo turno, chegam praticamente em igualdade de condições às urnas.
Não são as únicas coincidências. Ambos já governaram o Paraná no PMDB e já experimentaram derrotas em disputas com o atual governador, Jaime Lerner (PFL). Alvaro governou de 1987 a 1990. Já o candidato peemedebista ficou à frente do Palácio Iguaçu na administração seguinte, de 1991 a 1994. Ambos são senadores e ex-integrantes do mesmo grupo político no Estado.
Depois da perda do poder para o grupo de Lerner, os hoje adversários patrocinaram um lento distanciamento, que levou à troca de agressões e farpas em entrevistas e debates desde o primeiro turno, além de disputarem a autoria das maiores obras realizadas no Paraná antes de perderem o poder para o grupo de Lerner.
Alvaro classifica Requião de ''desequilibrado'', na conta do destempero verbal. Recebe de troco a pecha de ''equilibrista'', pela troca de partidos que já fez e pelas alianças que promove.
Alvaro chegou na frente no primeiro turno, com 31,40% dos votos válidos, contra 26,18% do peemedebista. A diferença pró-Alvaro representou cerca de 300 mil votos, que Requião já teria conseguido descontar com a adesão de PT, PPS e PL à sua campanha, incrementada pela ''onda Lula''. Recentemente, Requião procurou aproximar-se da esquerda. Encontrou reciprocidade no PT, com quem convive ora em harmonia, ora aos trancos, desde 94.
Praticante da negociação política, Alvaro não persegue ideologia. Fecha acordos com ex-adversários em nome do objetivo eleitoral, sem dificuldades. Abrigado no PDT depois de pressionado a deixar o PSDB, se aliou nesta eleição com PTB e PPB.
No segundo turno, comprometeu seu discurso de oposição a Lerner, atraindo o apoio do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Na campanha de 1998, Alvaro fechou um acordo branco com Lerner. O PFL não lançou candidato ao Senado e o PSDB (então partido de Alvaro) não disputou o governo, enquanto Requião se aliava com o PT.
O eventual governo Requião representará o fortalecimento da oposição ao PFL. Ele terá trânsito livre com um eventual governo Lula, de quem recebe apoio e, em 2004, será o articulador da aliança PMDB-PT às prefeituras. Se não houver rachas pelo caminho, essa união vai tentar desbancar o PFL também da Prefeitura de Curitiba.
Com Alvaro no governo, as forças políticas do Estado se pulverizam. Caciques do PTB e do PPB terão espaço garantido, os pefelistas de Lerner ganharão novo fôlego, e o PSDB comandado pelo grupo de Euclides Scalco e José Richa encontrará espaço fértil para crescer como nova força política, de oposição ao governo.
A carreira pública de Alvaro teve início em 1968, quando foi eleito vereador em Londrina. Dois anos depois, ocupava uma cadeira na Assembléia Legislativa. Ao término do mandato, foi eleito para duas legislaturas seguidas para deputado federal. Em 1982, Alvaro conquistou seu primeiro mandato no Congresso Nacional. Em 1998, foi novamente eleito senador, cujo mandato termina em 2007. É formado em história.
Requião nasceu em 5 de março de 1941 e iniciou sua carreira política em 1983, quando se elegeu deputado estadual. Dois anos depois, foi prefeito de Curitiba. Em 1994, foi eleito senador, mandato que se encerra este ano. Requião é formado em direito e jornalismo e cursou urbanismo. (Com Reportagem Local)


