Os senadores paranaenses Alvaro e Osmar Dias, ambos do PSDB, vão ficar sem partido nos próximos dois meses. Neste período vão manter contatos e avaliar convites de diversas siglas. A estratégia permite que os senadores valorizem o passe enquanto não decidem qual o destino partidário mais conveniente a seus planos políticos. O presidente nacional do PSDB, deputado José Anibal (SP), quer expulsá-los porque eles assinaram o requerimento de criação da CPI da Corrupção, para investigar o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O partido fechou questão contra a CPI. Mesmo assim, os irmãos Dias se recusaram a retirar as assinaturas alegando que um partido que prega a ética e a moralidade deveria apoiar a instalação da CPI.
Alvaro, presidente estadual do PSDB e candidato declarado ao governo do Estado, admite deixar o partido. Ontem, depois da reunião com a executiva estadual, Alvaro disse que vai esperar a confirmação oficial da cúpula tucana, na reunião da executiva nacional marcada para terça-feira. ‘‘Qualquer medida que implique em desabonar uma atitude correta implica na decisão radical de deixar o partido’’, declarou. A executiva pode decretar intervenção no diretório estadual.
Osmar está decidido a sair do ninho tucano. Disse ontem que não vai escolher outro partido antes de agosto. Não é a primeira vez que Osmar sai do PSDB. Ele está na sigla desde 1995. Em fevereiro de 96 saiu da legenda, porque assinou a CPI do Sistema Financeiro e do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Houve retaliação por conta do episódio, e ele ficou um ano sem partido. Voltou em fevereiro de 97. O senador preferiu não adiantar para qual legenda pretende ir. Pode optar pelo PDT e compor chapa com o PMDB, seu antigo partido. A princípio, o candidato do PMDB à sucessão do governador Jaime Lerner (PFL) é o senador Roberto Requião. Osmar tem afirmado que sua intenção é buscar a reeleição no Senado. Entretanto, tem apoio nos bastidores para concorrer à chefia do Executivo. Alvaro, que já foi governador do Paraná, também analisa convites. Ontem, foi convidado pelo presidente nacional do PL, deputado federal Waldemar Neto (SP), a ingressar no partido.
Osmar admite que pode escolher um partido diferente do de Alvaro, mas garante que eles vão dividir o mesmo palanque. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prazo para mudar de partido é um ano antes das eleições, ou seja, 6 de outubro deste ano.

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