Curitiba - Os ex-governadores do Paraná Jaime Lerner (PFL) e Alvaro Dias (PDT) querem assinar ficha no PSDB. Emissários de ambos já entraram em contato com a direção estadual do partido, fato confirmado pelo presidente do PSDB, o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa. Segundo Beto, o assunto só será abertamente discutido quando houver uma aproximação formal por parte dos ex-governadores.
Desde que deixou o governo, em dezembro do ano passado, Lerner tem se dedicado ao seu escritório de arquitetura em Curitiba, e à presidência da União Internacional dos Arquitetos (UIA). Lerner, eleito governador pela primeira vez em 1994, tem afinidade com o PSDB, mesmo estando há seis anos no PFL. O ex-governador apoiou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o também tucano José Serra, candidato derrotado à presidência na última eleição. Tentou em 1996 entrar no partido, mas foi barrado na época por Alvaro Dias, recém-filiado.
Aliados de Lerner confirmam que a intenção de mudar de legenda vinha sendo analisada há meses, nos bastidores. O ex-diretor brasileiro de Itaipu Euclides Scalco estaria auxiliando Lerner no processo de aproximação com o PSDB. O pefelista foi procurado ontem pela Folha mas, segundo sua assessoria, está nos Estados Unidos.
A situação de Alvaro é mais complexa. Há dois anos, o senador teve que deixar o PSDB às pressas para evitar a expulsão. Alvaro e o irmão Osmar Dias, também senador, endossaram a CPI da Corrupção, proposta pela oposição para investigar a gestão FHC. O presidente nacional do PSDB, José Aníbal, colocou os irmãos Dias na mira do conselho de ética do partido. Os dois optaram pelo PDT de Leonel Brizola.
Alvaro terá que enfrentar resistências se quiser voltar ao PSDB. O presidente do diretório de Foz do Iguaçu, Hamilton Serighelle, disse ontem, quando passava pela Assembléia Legislativa, que o partido não pode aceitar o retorno do senador. Serighelle afirmou que está conversando com diretórios municipais, e que a entrada de Alvaro tende a ser contestada. Com relação a Lerner, o dirigente não demonstrou a mesma rejeição.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), não pretende vetar o eventual ingresso de nenhum dos ex-governadores. ''Eu não veto ninguém. Partido se faz puxando para dentro'', declarou. O secretário-geral do PFL estadual, deputado Élio Rusch, disse que foi surpreendido. Segundo ele, o partido não foi comunicado da intenção de Lerner de mudar de legenda.
O deputado Barbosa Neto (PDT) lamenta a possível saída de Alvaro. ''Foi uma decisão familiar'', comentou.

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