Uma conversa hoje entre o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e o ex-governador Álvaro Dias (PSDB), e outra amanhã com o governador Jaime Lerner (PFL) podem definir as candidaturas para a sucessão no Paraná. Convocados para audiências separadas, Álvaro e Lerner levam ao presidente, em Brasília, o raio-X político mais recente do PSDB e do PFL, partidos que emprestam apoio à reeleição de FHC. Em troca, aguardam do presidente uma orientação que os ajude a clarear o quadro no Estado.
Álvaro disse que o presidente não quis adiantar o assunto, mas não tem dúvida de que a disputa no Paraná é a pauta. No próximo dia 30, o PSDB faz sua convenção e oficializa o rumo do partido, que pode ser o de lançar candidato próprio ou de lançar apenas candidato ao Senado. Nas duas hipóteses, Álvaro figura como candidato. ‘‘Vou fazer uma análise e falar ao presidente que preciso de uma chapa com um mínimo de dignidade para concorrer ao governo’’, observou.
O ex-governador voltou a dizer que uma aliança PTB-PPB-PSDB lhe daria mais sustentação. ‘‘Mas no PTB a confusão é grande. O PPB é que mostra mais segurança’’, ressalvou. Álvaro frisou que não pretende se antecipar e que a sua decisão será formalizada somente na semana que vem. ‘‘Eu cansei de me precipitar e facilitar a situação dos outros’’, declarou. Sobre as pressões e cobranças do PPB e do próprio PSDB, que querem uma definição já, ele não se mostrou sensível: ‘‘Prefiro ficar vermelho por cinco minutos a amarelo por muitos anos’’.
Porta-voz do governador Jaime Lerner nas articulações com os partidos, o secretário-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, disse ontem que a conversa do governador com Fernando Henrique está cercada de ‘‘muita expectativa’’. Segundo ele, a audiência pode ajudar na definição da chapa majoritária. Até agora o partido do governador só conseguiu fechar acordo nas proporcionais (para deputado). O PSB e PST montam uma ‘‘frentinha’’, enquanto PFL, PTB e demais nanicos ficam num mesmo grupo.
As vagas de vice e ao Senado com Lerner continuam sem dono. A vice-governadora, Emília Belinati (PTB), quer ser a candidata ao Senado e o ex-governador Paulo Pimentel, o vice. O governador, no entanto, estaria resistindo à idéia, baseado numa tese defendida por um setor lernerista e que pode ter a acolhida do presidente. No entendimento desta ala, o ideal para garantir a reeleição do governador seria um ‘‘acordo branco’’ com o ex-governador Álvaro Dias, com o qual ele abriria mão de concorrer ao Palácio Iguaçu em troca de uma candidatura ao Senado sem adversários de peso do grupo de Lerner.
A tese é colocada em xeque quando alguns aliados questionam até que ponto Álvaro Dias seria fiel a tal tipo de arranjo. Cândido Martins não confirma as sondagens em torno do acordo. Ele disse ontem que o governador tem diversos nomes para compor sua chapa, mas ressaltou que ‘‘todos eles sabem que a prioridade é a reeleição de Lerner’’. ‘‘É legítimo pleitear vagas, mas as vontades não podem se sobrepor ao interesse maior’’, avisou o chefe da Casa Civil, ao ser questionado sobre o interesse de Emília Belinati em firmar-se como representante do grupo na briga pelo Senado. (L.D.)

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