O senador Alvaro Dias confirmou ontem à Folha que utilizou um avião da empresa San Marino, de Alberto Youssef, na campanha de 98. Ele destacou, no entanto, que a doação consta da declaração de gastos apresentada à Justiça Eleitoral naquele ano. ‘‘A San Marino é, ou era, uma empresa de táxi aéreo legalmente constituída e nós não tínhamos nenhum indício de suspeita quando houve a doação’’, disse o senador. ‘‘Tanto que essa mesma empresa prestou serviços ao Banco do Brasil, transportando malotes para o banco.’’
Alvaro destacou que, como candidato, não contratava ou tratava das doações da campanha. ‘‘Isso era com a coordenação.’’ Disse ainda que, na época, não sabia que a San Marino era de Youssef; menos ainda que o empresário seria investigado por lavagem. ‘‘Eu só via o piloto. Não podia ficar cuidando de fretamento ou empréstimo’’, completou o senador. ‘‘O avião foi colocado à disposição da campanha, para algumas viagens, e isso está declarado. Mas a gente não sabia nem quem era o proprietário’’, reforçou o senador Osmar Dias (PSDB), irmão de Alvaro e coordenador da campanha de 98.
O deputado federal Alex Canziani também assegurou que, pessoalmente, não recebeu nenhuma doação de Youssef – ao contrário do que sugere o depoimento. Ele acrescentou que iria contatar o irmão, Ivan Canziani, que foi coordenador de campanha, para questionar sobre uma eventual doação. Ontem, o irmão estava viajando. ‘‘Esse valor para mim ele não deu. Pode ser que tenha dado para a campanha’’, destacou. Alex acrescentou que conhece Youssef mas nunca fez qualquer negócio com o doleiro.(L.H.)

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