O PSDB e o PFL do Paraná não vão dividir as atenções do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no dia 7 de agosto, em Maringá. O anúncio foi formalizado ontem pelo candidato tucano ao Senado, ex-governador Álvaro Dias. A decisão fortalece a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), que vincula desde já sua campanha à do presidente, e ofusca a de Álvaro que desperdiça oportunidade de desfilar como aliado de Fernando Henrique diante dos eleitores.
Álvaro voltou quarta-feira da França, reafirmando que é candidato ‘‘independente’’ e que não vai se envolver na disputa pelo governo. ‘‘Vou agir com neutralidade. Se eu participar do bate-boca, criarei constrangimentos e obstáculos’’, declarou. O ex-governador disse que vai recepcionar o presidente no aeroporto de Maringá e que, por um ‘‘comportamento histórico diferenciado’’, não poderia subir no mesmo palanque que o governador. ‘‘O que estou fazendo neste momento é uma concessão.’
As declarações do ex-governador reforçam a resistência tucana em assumir a fórmula de Brasília, que abortou candidaturas ao governo no PSDB e ao Senado no PFL, e ficou conhecida nos meios políticos do Paraná por ‘‘acordo branco’’. ‘‘Estamos reivindicando que o presidente participe de eventos distintos’’, assinalou. Álvaro pretende acertar com o coordenador da campanha presidencial, Euclides Scalco, uma divisão do palanque eletrônico do presidente, que estréia no próximo dia 18 em Londrina.
De acordo com a proposta do ex-governador, Lerner ficaria com direito a 15 gravações em telão com o presidente e Álvaro com outras 15. ‘‘Tenho tanta coerência em afirmar que não há acordo branco que, para mim, isso só representou incômodo. O que eu desejava era ser governador do Estado. Percebi que não iria ter uma estrutura para enfrentar’’, observou. ‘‘A minha retirada beneficia um candidato. Se o Requião tivesse aberto mão, eu seria o beneficiado’’, considerou.
O candidato do PSDB afirmou que a vinda do presidente ao Paraná não será a única durante a campanha. ‘‘Temos uma posição francamente favorável, o que me dá tranquilidade’’, disse Álvaro, dando a entender que uma aparição ao lado de Fernando Henrique, no início da campanha, é até dispensável. ‘‘Vou perder uma oportunidade preciosa, eu sei. Mas o que queremos mesmo é fixar uma posição de clareza’’, afirmou para justificar a impossibilidade de frequentar mesmo espaço político com Lerner.
A primeira entrevista concedida por Álvaro, depois da viagem à França, foi ‘supervisionada’ pelo coordenador da campanha, seu irmão Osmar Dias. Foi o senador quem sinalizou, durante a ausência do ex-governador, que tucanos e pefelistas não ficariam num mesmo palanque e que a candidatura do empresário Tony Garcia (PPB) ao Senado não compromete o projeto do PSDB. ‘‘Quando saí daqui ele (Tony Garcia) nem era candidato. Acho ótimo que ele concorra, é uma opção a mais’’, ironizou Álvaro.
Garcia aguardou o desembarque do tucano para iniciar o ataque a Álvaro e Osmar. ‘‘O Osmar está me acusando levianamente. Ele ficou famoso por ter superfaturado compra de ovelhas quando secretário da Agricultura’’, atacou em resposta ao senador, que disse anteontem ao jornal ‘‘Folha de S.Paulo’’ que, antes de permitir que Tony Garcia suba no palanque de Maringá, o presidente deveria consultar os processos pelos quais o candidato do PPB responde no Banco Central.
‘‘O Álvaro deveria parar de pressionar o comando nacional para que eu desista de concorrer. Ele que cuide do massacre dos professores’’, apelou Garcia. ‘‘Sou candidato ao Senado porque acho que o Paraná merece dias melhores.’

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