Alvaro Dias propõe CPI do Futebol
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quinta-feira, 14 de setembro de 2000
Da Redação 
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) propôs ontem a instalação de uma CPI para apurar denúncias de corrupção no futebol brasileiro. O requerimento, com 39 assinaturas de senadores, foi encaminhado ontem mesmo à Mesa Diretiva da Casa. Alvaro justificou que a proposta é apurar o recolhimento de contribuições da previdência social, sonegação de pagamento de imposto de renda por clubes, atletas e técnicos e irregularidades na vendas de passes para o Exterior.
Além disso, informou o senador, a comissão também poderá averiguar denúncias envolvendo clubes e bingos e o contrato de patrocínio firmado entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a empresa de artigos esportivos Nike. A cada dia surgem denúncias sobre ilegalidades cometidas no nosso futebol: da sonegação do recolhimento de tributos a irregularidades relacionadas à venda de passes de jogadores brasileiros para o exterior, detalhou. Segundo ele, a CPI se justifica nos muitos e variados fatos levantados envolvendo atletas, comissões técnicas e empresários que atuam no setor.
Alvaro entende que o futebol é importante para o País e movimenta no mundo bilhões de dólares anualmente. No Brasil, além do lazer e da diversão, informou ele, o esporte oferece oportunidade de trabalho e de renda. Trata-se, portanto, de um assunto público da maior importância e da responsabilidade dos que representam a população, alegou.
Não podemos permitir que os escândalos continuem a ocupar espaço na imprensa nacional sem que as autoridades tomem qualquer tipo de providência, cobrou o tucano. Ele lembrou também que o Banco Central está investigando a venda de passes de jogadores do País para clubes do exterior. Segundo Alvaro, teria sido constatada uma diferença de cerca de US$ 40 milhões entre valores que os clubes declararam haver recebido e a entrada efetiva no Brasil.
A comissão poderia ainda esclarecer o relacionamento entre entidades esportivas com os bingos. O parlamentar lembrou o recente escândalo que atingiu, inclusive, o então ministro dos Esportes e do Turismo, Rafael Greca (PFL) com acusações de envolvimento da chamada máfia espanhola e de banqueiros do jogo do bicho. Alvaro referiu-se ainda ao contrato de patrocínio firmado entre a CBF e a Nike, que envolveria cerca US$ 400 milhões.
A sociedade brasileira exige esclarecimentos sobre esse contrato, cobrou Alvaro, acrescentando que há informações de que a Nike poderia, de acordo com o contrato com a CBF, escolher unilateralmente adversários para a Seleção Brasileira de Futebol.


