O senador Alvaro Dias oficializou anteontem sua saída do PSDB, primeiro passo para a migração para o Partido Verde (PV). Apesar de a assinatura da ficha de filiação ainda não ter ocorrido, o ex-tucano já gravou participação para o programa partidário do PV que vai ao ar na próxima terça-feira, segundo o presidente da sigla em Londrina, o vereador Mario Takahashi.
A saída de Alvaro do PSDB já é conhecida desde meados de dezembro, mas o senador ainda não havia oficializado o ato. O interesse do senador seria em uma possível candidatura à Presidência da República pelo partido. Sua assessoria afirmou, à época, que a filiação deveria ocorrer no início deste ano ou ao fim do recesso legislativo, no início de fevereiro.
A migração do senador, entretanto, foi acompanhado de um boato inusitado. Segundo consta, Alvaro teria se encontrado com o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), e o convidado a também migrar para o PV, prometendo a ele a liderança da legenda no Paraná e a candidatura ao governo do Estado em 2018. Kireeff confirmou que se encontrou com o senador em meados de dezembro, mas não o teor da conversa.
O vereador tucano de Londrina Roberto Kanashiro lamentou a saída de Alvaro do partido. "É uma liderança de peso, um senador em terceiro mandato, mas, dentro do PSDB tem havido problemas de convivência tanto na esfera nacional quanto na estadual", recordou o vereador.
A FOLHA tentou contato com o senador e com sua assessoria via celular na tarde de ontem, mas os telefones estavam desligados.

A GOTA D’ÁGUA
Líder da oposição no Senado Federal, Alvaro já havia se afastado do grupo do governador Beto Richa (PSDB) em 2010, quando foi preterido na candidatura pelo governo do Paraná. No ano retrasado, apesar de ambos comporem a mesma chapa, não houve reaproximação.
Em Brasília, o descontentamento de Alvaro começou com algumas decisões da bancada no Senado, como o apoio dado ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em meados de 2015, no momento em que o peemedebista anunciou oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff e ainda não havia sido denunciado pela operação Lava Jato.
No início de dezembro, o senador acionou o TCU (Tribunal de Contas da União) para pedir a investigação sobre as assinaturas do vice-presidente Michel Temer a, ao menos, sete decretos não numerados que autorizaram a abertura de crédito ao Orçamento, totalizando R$ 10,8 bilhões. A legalidade de decretos como esses é um dos motivos do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, aceito por Cunha. Na ocasião, o PSDB não endossou o pedido feito por Dias. (Com Folhapress)

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