Albari Rosa/Folha de LondrinaGoverno ou Senado?Álvaro Dias, enigmático, ao deixar a presidência da Telepar, garante apenas que vai concorrerO ex-governador Álvaro Dias (PSDB) oficializou ontem, em Curitiba, o seu desligamento da presidência da Telepar. Ele deixa a função, depois de 12 meses, para dedicar-se ao processo eleitoral do Paraná. Sem definir candidatura - ao governo ou ao Senado -, Álvaro entregou carta-renúncia ao conselho administrativo da estatal. Tudo para não comprometer seu projeto político para 98. Hoje vence o prazo fixado pela legislação eleitoral para a desincompatibilização dos detentores de cargos no Executivo interessados em concorrer às eleições.
O ex-governador anunciou ontem que não vai reassumir a presidência do diretório regional do PSDB, cargo ao qual foi eleito. No discurso de despedida, Álvaro usou um trocadilho. ‘‘Desta vez não é para dizer que fico e sim para confirmar que vou’’, brincou, numa referência ao episódio político vivido em 90, quando ainda era governador. Para garantir a eleição do hoje senador Roberto Requião (PMDB), o ex-governador desistiu de concorrer ao Senado às vésperas do prazo final para a desincompatibilização.
O ex-presidente da Telepar voltou a demonstrar cautela ao ser questionado pelos jornalistas sobre qual deve ser o rumo da sua pré-candidatura. Álvaro foi incisivo, no entanto, quando avaliou as costuras que o PSDB vêm mantendo com o PMDB. ‘‘Colocar nomes já dificulta as conversas’’, observou o ex-governador, que defende uma aproximação mais para a frente por meio de uma pesquisa eleitoral. O alerta cifrado foi para Requião, que, no último sábado, disse não ceder a cabeça de chapa em favor de nenhum partido de oposição.
Álvaro deixou transparecer ainda que, se frustrada a aliança com o PMDB, o caminho natural dos tucanos é unir-se ao PPB e ao PTB. Ele disse ser contra uma união das oposições somente no segundo turno, como sugeriu Requião, também na semana passada. ‘‘A política no Paraná é dual. O eleitor é mais sábio que muitos políticos. A eleição sempre bipolariza. Se estivermos com três candidatos, por exemplo, dois centralizam e um fica em situação de vexame’’, avaliou.
O último dia do ex-governador frente à Telepar também foi dedicado a críticas contra o governador Jaime Lerner (PFL), o seu maior adversário político. Álvaro acusou a administração estadual de mau gerenciamento das finanças. ‘‘Este governo faz despesas e receitas artificiais. Os nossos deputados estaduais podem esquiar em Aspen (estação de esqui nos Estados Unidos), porque depois do orçamento para 98, aprovado pela Assembléia, não precisarão fazer mais nada. O governo faz o que quer de agora em diante’’, ironizou.

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