Arquivo FolhaPé atrásÁlvaro Dias: ‘‘Aceitar uma aliança com o PFL, sem qualquer garantia, é muito arriscado’’O presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), disse ontem em Curitiba que está disposto a seguir a orientação do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e iniciar uma conversa com a direção estadual do PFL sobre a proposta de aliança para 98, feita pelo governador Jaime Lerner (PFL) na última terça-feira. Mas com uma condição: os tucanos, antes de qualquer costura, querem ter a garantia de que vão participar das discussões em torno da escolha do candidato ao governo e de que não haverá imposições para beneficiar a reeleição de Lerner.
O ex-governador diz que antes de se definir o candidato, os partidos que pretendem se aliar ao PSDB devem demonstrar disponibilidade em se submeter a uma sondagem junto à opinião pública para saber qual o nome com mais condições eleitorais de vencer a disputa. Álvaro diz que proposta semelhante também foi encaminhada ao PMDB, mas que o retorno está abaixo do esperado. ‘‘É natural, até pela origem histórica, que nos aproximemos mais do PMDB, mas isso não está evoluindo’’, analisa.
Para Álvaro, aceitar uma aliança como a sugerida por Lerner, sem garantia nenhuma e sem ‘‘um comportamento de respeito do governo aos tucanos’’, seria no mínimo arriscado. ‘‘O governador terá que repensar a sua estratégia, porque uma aliança se faz com critérios. O PSDB, que já deliberou o lançamento de candidato próprio no ano que vem, não pode engolir um ‘prato feito’, uma candidatura pronta, mesmo que seja a de um governador’’, avalia.
Além dos resquícios da briga eleitoral de 94, quando Lerner derrotou Álvaro nas urnas, outro motivo que emperra a aproximação PSDB-PFL é a ‘operação-desmonte’ deflagrada pelo governador junto aos tucanos lerneristas. Magoado com o ‘não’ do PSDB que o impediu de se filiar no partido de Fernando Henrique em maio desse ano, Lerner deseja levar consigo pelo menos cinco dos nove deputados da bancada estadual.
O presidente da Telepar não se convenceu com as declarações dadas por Lerner no dia da filiação no PFL. O governador diz que há uma ‘‘rearrumação partidária’’ e que os tucanos estão procurando a melhor opção. ‘‘Ele (Lerner) diz que é coerente que eu o apóie, mas tenta acabar com o PSDB no Paraná. Isso é muito contraditório. O discurso é um, mas a ação outra’’, alega.
O ex-governador Álvaro Dias não acredita ainda que a filiação de Lerner no PFL vá agravar as divergências PFL-PSDB - os partidos de sustentação do governo Fernando Henrique - que começam a ‘pipocar’ nos estados. ‘‘Se não houver acerto aqui no Paraná, o caminho é muito simples. O presidente fica neutro, com a nossa compreensão. Tem o apoio dos dois lados e consegue o que ele mais quer: garantir a reeleição fazendo a menor campanha possível’’, afirma.

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