Curitiba - O senador Alvaro Dias (PSDB) descartou ontem ''abrir mão'' da sua indicação à vaga de vice-presidente na chapa encabeçada por José Serra em prol da candidatura de Osmar Dias (PDT) ao governo do Paraná, que tenta costurar com o PT e o PMDB, mas também não quer ficar no palanque oposto ao do irmão. ''Não posso abrir mão do que não me pertence. Não postulei nada. Foi uma avaliação nacional que definiu o meu nome. Eu não tenho direito de desistir'', afirmou Alvaro, em entrevista ontem à Reportagem.
Segundo Alvaro, a prioridade deve ser o ''projeto nacional'' e ''há um desejo que Osmar fique conosco''. ''O Osmar está sofrendo uma pressão desproporcional agora, mas, até o PSDB indicar meu nome, o PT e o PMDB não queriam atender aos pedidos dele'', afirmou Alvaro. Ontem, a rede de notícias do PDT na internet reproduzia uma informação na qual a cúpula da legenda no Paraná questionava o veto de Carlos Lupi (presidente nacional do PDT) à aliança entre os pedetistas e o PSDB de Beto Richa, já que, em outros Estados, a mesma união foi liberada. Lupi vetou a possibilidade da aliança regional argumentando que, na esfera nacional, o PDT já fechou com o PT de Dilma Rousseff.
No início da noite de ontem, Lupi foi recebido na residência de Osmar em Curitiba, onde eles ainda iniciariam uma reunião. Por outro lado, PSDB e DEM também não tinham chegado a um acordo sobre o nome de Alvaro, indicado pelos tucanos, mas não aceito pelos democratas. De posse de informações sobre a resistência ao nome de Alvaro, Lupi pretendia lançar sua ''última cartada'' ontem para assegurar o nome de Osmar ao Executivo.
O presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), afirmou ontem que o ''casamento'' com o PSDB está em crise. ''Mas todas as crises precisam de maturidade para que elas possam ser superadas'', disse ele. Ele pediu ainda união ao dois partidos e deu um recado ao PSDB: ''Para ganhar uma eleição contra um governo tão popular, só a união de esforços de todos os partidos de oposição''.
Líderes das duas legendas permaneciam em reuniões até o fechamento da edição. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não descartou a possibilidade de uma ruptura na coligação de Serra, com a saída do DEM da chapa. ''Nunca pode se dizer que sim. Mas estou otimista'', afirmou FHC, ao responder se a aliança estava mantida. Segundo ele, ''até amanhã (quando ocorre a convenção do DEM, em Brasília) ainda tem muito tempo''.
Ontem, Serra afirmou que a polêmica sobre a escolha de seu vice é ''normal'' e que ela será resolvida nos próximos dias. (Com agências)

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