O ex-governador Álvaro Dias (PSDB) deixará a presidência da Telepar no próximo dia 4 de abril para dedicar-se ao processo eleitoral no Paraná. O anúncio foi feito ontem pelo ex-governador, em Brasília, um dia depois da sua audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A estratégia de Álvaro era manter-se na função até junho, sob o argumento de que a natureza jurídica da Telepar o excluía das regras da desincompatibilização. No entanto, parecer do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relatado pelo ministro Costa Porto, mudou o rumo de seu projeto político.
De acordo com o entendimento do TSE, numa consulta feita por um deputado federal, todos os dirigentes das empresas concessionárias de serviços públicos - a Telepar está incluída - devem deixar seus cargos seis meses antes das eleições de outubro.
Antes de iniciar a campanha, Álvaro pretende passar algumas semanas nos Estados Unidos. Ele foi convidado por uma instituição norte-americana, em Nova York, para proferir palestra sobre telecomunicações e a privatização brasileira do setor. ‘‘Era para ser mais tarde, mas resolvi antecipar’’, disse.
Na conversa com o presidente, Álvaro Dias (foto) relatou o seu comportamento político neste início de processo eleitoral. O PSDB de Álvaro não é a única base de apoio à reeleição do presidente no Paraná. A sigla divide com o PFL do governador Jaime Lerner - seu adversário - o status de aliado de Fernando Henrique.
‘‘Disse ao presidente que o meu projeto está baseado em três pontos: uma crítica à realidade financeira vivida pelo Paraná, preocupação com relação à opinião pública e a sua preferência eleitoral, e uma aliança política que sustente uma candidatura forte’’, relatou. O ex-governador considera estes critérios fundamentais para a escolha do candidato das oposições ao Palácio Iguaçu.
Álvaro assegura ainda que Fernando Henrique deu carta branca para que o PSDB faça a composição política que considerar proveitosa sob o ponto de vista eleitoral. ‘‘O presidente tem apreço pelo partido, não interfere e não coage’’, disse o ex-governador, numa crítica indireta a interlocutores de Jaime Lerner, que estariam trabalhando junto ao presidente uma estratégia que forçasse Álvaro a abandonar o processo eleitoral.(LD)

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