Da Redação
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) fez ontem um pronunciamento em defesa dos acionistas minoritários do Banco Bamerindus que, de acordo com o discurso, foram abandonados à própria sorte pelo governo federal. ‘‘Esses acionistas representam 53.200 investidores, que vivem problema social decorrente dos transtornos sofridos, já que viram suas economias serem confiscadas depois de longos anos de investimentos e de muito sacrifício. O confisco ocorreu com a transferência do Bamerindus para o grupo inglês HongKong and Shangai Banking Corporation – HSBC’’, discursou.
O tucano disse que o presidente da Associação Brasileira de Investidores Minoritários do Grupo Bamerindus, Euclides Nascimento Ribas, tem ido a Brasília com frequência tentar uma solução para o impasse, mas o caso continua sem solução. ‘‘Há um desprezo às reivindicações legítimas das famílias prejudicadas por essa transferência duvidosa do Bamerindus para o HSBC’’, criticou Alvaro.
O senador cobrou ainda ação do Banco Central de proteção aos acionistas minoritários. ‘‘Houve uma expropriação no processo de transferência do banco para o grupo inglês, em condições assombrosamente generosas’’. No discurso, Alvaro leu trechos de um relatório sobre a transferência do Bamerindus para o HSBC em 1997, no qual, segundo ele, ‘‘erros incríveis são cometidos pelo governo’’. O senador criticou ainda a ‘‘doação’’ da parte boa do Bamerindus aos ingleses e a falta de informações tanto do governo federal como do Banco Central para justificar a operação.
O tucano também chamou a atenção para a falta de informações sobre a transação e os valores. Segundo ele, o HSBC comprou o ex-banco paranaense por R$ 381 milhões, com prazo de sete anos de pagamento, enquanto recebeu, em contrapartida e à vista, R$ 376 milhões ‘‘a título de reestruturação’’. ‘‘O banco inglês não se responsabilizou por contas do passado e ainda exigiu como garantia a caução de títulos no exterior’’, lamentou.
Alvaro também criticou a falta de divulgação do contrato de venda do Bamerindus firmado entre o governo federal e o HSBC, além de afirmar que o contrato foi cercado de irregularidades e procedimentos estranhos, sem transparência e conhecimento público. ‘‘Tanto que existe um processo que está correndo no Ministério Público Federal em Brasília com todas as falhas apontadas na doação do Banco Bamerindus para o HSBC, bem como dos dirigentes do Banco Central que tomaram parte na transação efetivada, até agora sem nenhuma transparência ou diálogo’’.
Além de cobrar posição do BC, do presidente Fernando Henrique Cardoso e da liderança do governo no Senado, o senador tucano pediu à CPI dos Bancos que, em seu relatório, sugira providências para defender os acionistas minoritários do Bamerindus.

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