Álvaro: decisão em duas semanas
Quatro institutos de pesquisas vão avaliar chances do ex-governador
Patrícia Zanin
Arquivo FolhaJuizÁlvaro Dias: ‘‘O eleitor irá se basear nos resultados obtidos nas várias gestões em julgamento’’Apesar da cautela que o ex-governador Álvaro Dias (PSDB) insiste em manter sobre ser ou não ser candidato ao governo do Estado, o tom de seu discurso não parece de alguém que vive uma indefinição. Álvaro Dias diz que sua decisão só sairá em duas semanas, depois de avaliar o resultado de pesquisas, mas demonstra firmeza. ‘‘Eu tenho responsabilidade pública e o Paraná precisa ter as finanças saneadas’’, defende. Questionado sobre como se daria o saneamento, ele reage com ressalvas. ‘‘Não é hora. Não vamos entregar o ouro’’, desconversa.
Álvaro já fala até mesmo do desafio que aguarda a próxima gestão: ‘‘tirar a maquiagem da realidade’’. ‘‘O que fazer com a vitória se ela nos sorrir? Fazer com que a dura realidade fique sem maquiagem, mas com perspectiva de futuro’’. ‘‘E eu vou participar em sendo ou não candidato e essa segunda é uma hipótese bastante remota’’, admite.
O ex-governador quer antes ter a certeza de que estará bem nas pesquisas que estão sendo realizadas com 1.500 pessoas de dez regiões do Estado para ‘medir’ seu desempenho. As pesquisas começaram na segunda-feira com quatro institutos (dois do Paraná e dois de Brasília que ele não revela o nome). ‘‘Acredito que o resultado eleitoral será positivo, mas dependemos de uma análise mais profunda sobre outros itens. O objetivo é encontrar respostas na própria população às perguntas que me fazem sobre ser ou não candidato’’, disse.
Ele afirma que apareceu na frente em várias pesquisas sobre intenção de votos. ‘‘A avaliação agora é saber se elas se consolidaram ou reverteram porque contemplamos um show pirotécnico do governo nos veículos de comunicação, pago com o dinheiro da população’’, critica, atacando o governo do Estado. O PSDB acionou a Justiça Eleitoral contra a publicidade oficial.
Para Álvaro Dias, os pré-candidatos ao governo - ele, Requião e Lerner - são extremamente conhecidos e isso facilita a vida do eleitor. ‘‘Dois foram e um é. O eleitor irá se basear nos resultados obtidos nas várias gestões em julgamento. A campanha seria até desnecessária’’, avalia.
Para Álvaro, o eleitor vai se pautar ‘‘pelo que viu das gestões’’ e não pelo que vai ouvir na campanha eleitoral de rádio e TV. Mas ele tem consciência da importância das alianças principalmente para somar tempo de propaganda eleitoral. O ex-governador aposta fechar as alianças até o dia 17, dez dias antes da convenção do PSDB. Os alvos são o PTB e o PPB. ‘‘O Janene (José, presidente do diretório regional) está ansioso e me cobrou, mas disse para ele aguardar as pesquisas’’.
Esta semana, o ex-governador está percorrendo várias universidades a convite dos estudantes para falar sobre os dez anos da gratuidade de ensino, implantada na gestão dele. Anteontem à noite ele esteve em Apucarana. ‘‘Os benefícios sociais são incalculáveis. Mas é preciso adotar novas medidas para a gratuidade atingir ainda mais gente’’, defende. Entre elas, a autonomia às universidades com a garantia de repasse de verbas compatíveis com os gastos. ‘‘No meu governo gastávamos 12% da receita com as universidades. Hoje o Estado não repassa nem a metade’’, afirma.

mockup