Alvaro cobra fidelidade de alianças
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Maria Duarte Equipe da Folha 
Curitiba - O mal-estar causado no Paraná com o acordo firmado pelas cúpulas nacionais do PTB, PDT, PSS e PTN fez com o que senador Alvaro Dias, pré-candidato do PDT ao governo, cobrasse fidelidade das coligações. Os três partidos se comprometeram a manter a aliança para apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PPS) à presidência. Só que no Paraná o PTB é apêndice do governo desde o primeiro mandato de Jaime Lerner (PFL), em 1995, enquanto o PDT faz oposição.
Alianças exigem reciprocidade, isto é evidente. É uma via de duas mãos, disse o senador. Os estados não são obrigados a repetir as composições acertadas no plano nacional, mas o cenário pode mudar quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se pronunciar sobre uma consulta feita pelo PDT.
A Justiça Eleitoral em Brasília deve se manifestar dentro de uma ou duas semanas. Por enquanto, há apenas uma orientação das direções nacionais para que os estados acatem as composições.
Alvaro avalia que uma possível obrigação de repetir as alianças vai produzir a maior infidelidade eleitoral da história. Pode acabar servindo como baralho de cartas marcadas e beneficiar o candidato do governo. Seria alterar as regras no meio do jogo, criticou.
O entrave é ainda maior. A bancada petebista está rachada. Uma ala defende apoio ao candidato do PSDB, o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, e outro bloco acredita que o partido deve apoiar Alvaro. O presidente estadual do PTB, deputado Valdir Rossoni que já ocupou a cadeira de líder governista na Assembléia Legislativa tenta arrancar um consenso da bancada. Alvaro não considera constrangedora a situação entre PTB e PDT no Paraná. O Lula busca apoio do PL, disse, frisando que o PL é governista.
Ontem, em Curitiba, a direção estadual do PDT anunciou as primeiras pré-coligações no Estado, com os nanicos PRP e PGT. A intenção é aumentar o tempo de tevê, chegando a quatro ou cinco minutos, pelos cálculos do presidente estadual, Nelton Friedrich. Hoje, a legenda tem dois minutos, divididos em dois blocos.
O anúncio da pré-coligação PDT-PTB-PPS-PTN, feito anteontem em Brasília, precisa do aval das convenções dos partidos para se tornar oficial. As convenções devem acontecer somente em junho. As eleições estão marcadas para o dia 6 de outubro.


