O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) cobrou ontem do governo federal mais empenho para detectar as possíveis irregularidades na gestão do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, investigadas pela CPI dos Bancos. ‘‘Caberia uma atuação mais direta do ministro Pedro Malan (Fazenda) e do presidente do Banco Central (Armínio Fraga)’’, disse Álvaro à Folha.
Ele disse que não basta que o presidente Fernando Henrique tenha pedido agilidade da CPI nas investigações do sistema financeiro. Na opinião de Álvaro, no plano administrativo do Banco Central, cabe inquérito administrativo e sindicância que possam contribuir com as investigações dos senadores.
O tucano paranaense disse ainda que, ao contrário do que a maioria acredita, a CPI pode vir a aumentar a credibilidade dos investidores externos no Brasil. ‘‘O que estamos vendo é um grande esforço para acabar com a impunidade’’, defendeu.
Para o também senador Osmar Dias (PSDB), irmão de Álvaro, a sociedade não suporta mais tantos escândalos. ‘‘O Banco Central que é o guardião da moeda, mostrou-se com mecanismos tão frágeis para protegê-la que é preciso aumentar o controle do sistema financeiro’’.
Ele acredita que a partir da CPI, o Congresso poderá votar projetos como o da quarentena para ex-diretores do Banco Central, além de garantir uma análise mais criteriosa sobre cargos-chave no BC, que precisam ser avalizados pelos senadores. ‘‘Não se esperava que alguém que ficou 18 dias no cargo fizesse tanta barbaridade como me parece que fez’’, disse Osmar, referindo-se a Chico Lopes.

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