Álvaro aponta erros do governo, mas garante apoio ao presidente
O senador Álvaro Dias (PSDB) voltou a criticar a equipe econômica em seu discurso ontem no Senado, quando fez uma análise da conjuntura brasileira e uma retrospectiva dos erros do governo. Há poucos dias, Álvaro havia dito, em Curitiba que a equipe econômica cometeu erros primários em termos de política monetária e não teve a sensibilidade para detectar o momento de correção de rumos.
Ontem, no Senado, ele afirmou que os equívocos do governo resultaram em empresas sucateadas ou fechadas, postos de trabalho extintos e um profundo agravamento da exclusão social, que continua sendo uma chaga aberta em nosso País. O senador sinalizou para as medidas que precisam ser adotadas para o País sair da crise em que se encontra mergulhado.
Para Álvaro, os sucessivos déficits na balança comercial serviram para alimentar a crise, agravada pela manutenção, nos últimos anos, de uma âncora cambial alicerçada em elevadas taxas de juros.
O senador observou que nas transações correntes, o sinal vermelho de 1997, quando o déficit atingiu quase 34 bilhões de dólares, deveria ter sido respeitado. No entanto, o governo continuou agindo como se nada houvesse de grave. Em 1998, o déficit nas transações correntes ficou na casa dos 35 bilhões de dólares, descambando, na primeira semana de 1999, na crise em que estamos mergulhados.
Para Álvaro, o papel de Congresso neste momento não pode ser apenas um fórum de registro de fatos ou de chancelador de leis elaboradas. A imagem do parlamentar precisa ser de afirmação na busca de saídas e alternativas competentes para enfrentar as dificuldades. A mudança de orientação política passa por esta Casa. Começando pela retomada do crescimento econômico, uma vez superada a recessão em que estamos enredados.
Ele cobrou apoio do governo, principalmente para a agricultura. Como entender que a expectativa da agricultura brasileira para este ano seja uma safra de 84 milhões de toneladas de grãos, quando a China, país imenso, mas de relevo irregular, devastado por intempéries que vedam sua ocupação, tenha uma produção de grãos que atinge a ordem de 500 milhões de toneladas?
Álvaro argumentou que não apenas a safra de grãos é a âncora verde como definiu o presidente Fernando Henrique. É a agricultura que é a âncora verde da economia, do progresso e do desenvolvimento do país, gerando renda e abrindo oportunidades de trabalho. É a solução mais óbvia para o Brasil. O senador também defendeu mecanismos para ampliar a arrecadação. Segundo o parlamentar, a Receita precisa tributar a renda que está fora de seu alcance. O governo e o Congresso precisam declarar guerra total a essa sonegação criminosa e impatriótica, ponderou.
Apesar das críticas, Álvaro reafirmou o seu compromisso com a social democracia. Tenho o compromisso de estar ao lado dos que tem a grandeza para corrigir rumos equivocados e que reconhecem não existir incompatibilidade entre desenvolvimento e justiça social.Arquivo FolhaÁlvaro: Estou ao lado dos que vão corrigir rumos equivocadosDa Redação





