Brasília - O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse ontem que recebeu o suposto dossiê elaborado por funcionários da Casa Civil com informações sobre gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PDSB) com cartões corporativos. Dias, entretanto, não admitiu ser o responsável pelo vazamento do dossiê para a imprensa. Em seguida, argumentou que a Constituição Federal permite que os parlamentares usem dados que chegam às suas mãos como acharem mais conveniente, inclusive para repassá-los para a imprensa. ''Os senadores não são obrigados a prestar informações sobre o que recebem. Se um parlamentar vazou informações para a imprensa, o fez dentro das suas atribuições parlamentares'', afirmou.
Em nenhum momento do discurso no plenário do Senado Dias admitiu o vazamento. Mas deixou claro, após ser questionado pelo senador Tião Viana (PT-AC), que a Constituição concede liberdade para que os parlamentares usem ou divulguem as informações que recebem.
Dias cobrou explicações do Palácio do Planalto sobre o vazamento dos dados que deram origem ao dossiê. ''Eu tenho certeza absoluta que o senador (Tião Viana) não me imagina travestido de James Bond, forjando senhas e bisbilhotando computadores do governo. Essas virtudes hollywoodianas eu não tenho. Eu afirmei que tinha visto o dossiê. Mas por ordem da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) se elaborava um relatório de gastos do governo Fernando Henrique'', afirmou.
Líderes governistas no Senado afirmaram que as palavras do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) mostram que o governo não é o ''algoz'' no episódio do dossiê, mas vítima da oposição que usou informações do banco de dados da Casa Civil montado para detalhar gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com cartões corporativos.

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