Alvaro admite: marketing de Serra não é unanimidade
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
O senador Alvaro Dias (PSDB) participou ontem em Londrina da primeira atividade de campanha, nas eleições 2010, desde que seu nome foi substituído pelo do deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) para vice do presidenciável José Serra (PSDB-SP). As ações de que participa, no entanto, são referentes apenas a Serra e ao candidato tucano ao Senado, o deputado federal Gustavo Fruet - de modo que nenhuma menção foi feita ao candidato ao governo pelo PSDB, Beto Richa.
A despeito do racha que, semestre passado, colocou de lados opostos ao Palácio Iguaçu Alvaro e o então prefeito de Curitiba, o argumento do senador é que, com Osmar Dias (PDT) do lado oposto, na majoritária nacional, ele não poderia fazer campanha, no Estado, contra o próprio irmão. Em entrevista à FOLHA, no intervalo de uma agenda de eventos apertada, admitiu: as quedas sucessivas registradas por Serra nas últimas pesquisas são um ''conjunto de fatores''- o poder de transferência de votos do presidente Lula a sua candidata, Dilma Rousseff (PT), aliado a eventuais falhas na estratégia do tucanato em apresentar o ex-governador de São Paulo ao eleitorado.
Para Alvaro, o fato de a campanha de rua ainda não estar a pleno vapor tem sido uma espécie de ''laboratório'' às alterações feitas na legislação eleitoral. ''Essas mudanças tinham por objetivo reduzir custos de campanha, assim podemos avaliar melhor os resultados. Isso se vê não só pela redução no movimento de rua, outdoors e brindes, por exemplo, e mesmo com uma campanha mais fria, mas na qual a comunicação terá de ser muito mais valorizada'', disse. E ressalvou: ''Mas muita coisa ainda precisa ser mudada, sobretudo em relação às coligações: algumas são artificiais e estimulam, de certa forma, a corrupção eleitoral, porque há partidos que são só siglas aguardando o momento eleitoral para fazer negócios'', criticou.
Questionado sobre as críticas recebidas pela campanha de Serra, esta semana, não apenas pelo uso de imagens de Lula em programas de TV do PSDB, como também pelo fato de um assessor dele ter feito perguntas, como se fosse um internauta à parte da campanha, no debate on-line de quarta passada em São Paulo, o senador negou que as ações tenham refletido nas pesquisas. ''Foram estratégias do marketing da campanha, e isso, desde o início é uma questão discutida internamente. Não se trata de 'fogo amigo', são apenas opiniões diferentes em relação ao modelo de campanha, de tom de discurso'', explicou, para completar: ''A oposição não pode assimiliar o marketing oficial do governo, que tenta impregnar no subconsciente da população que toda crítica é baixaria. É da democracia apontar erros, desvios, especialmente no plano ético, mas sob a ignorância de alguns se coloca esse mal à luz de baixarias. Isso joga a oposição a reboque da situação - portanto, a estratégia de campanha tem sim que ser analisada''.
Já quanto à expectativa do partido para o Senado - nas pesquisas, com intenções de voto lideradas por Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) -, tanto Fruet quanto Alvaro apostam nos altos percentuais de indecisos (em média, mais de 60%) e nas andanças pelo interior. ''Vamos alavancar o Fruet pela qualidade e pela postura ética; não deslanchou ainda por não ser muito conhecido no interior, o que será, ainda mais com 69% de eleitores não definidos'', declarou Alvaro. ''E estamos começando uma campanha contra candidatos já conhecidos'', salientou Fruet.


