O senador Elcio Alvares (PFL-ES) tomará posse no dia 1º de janeiro como ministro extraordinário da Defesa, juntamente com os novos ministros (interinos) do Exército, da Marinha e da Aeronáutica - que aceitaram a proposta de se transformarem posteriormente em comandantes de força, tão logo o Congresso aprove a nova estrutura militar do país.
Essa foi a principal decisão tomada na reunião seguida de almoço no Palácio do Alvorada, que durou cerca de três horas e teve a participação do presidente Fernando Henrique Cardoso e dos quatro ministros militares. O encontro serviu para aparar as arestas que ainda existiam entre os atuais titulares dos ministérios militares e o presidente, especialmente quanto à transição da atual estrutura militar e a futura, ancorada no Ministério da Defesa.
O Planalto nega que os ministros Zenildo de Lucena (Exército), Benedito Leonel (Estado-Maior das Forças Armadas), Mauro César Pereira (Marinha) e Lélio Viana Lôbo (Aeronáutica) tenham recebido com ressalvas a indicação de Elcio Alvares para a Defesa. Isso porque o nome do senador teria sido até referendado por eles, antes de ser anunciado.
Hoje apenas o nome do futuro comandante do Exército era confirmado, extra-oficialmente: será o general-de-exército (quatro estrelas) Gleuber Vieira, atual chefe do Estado-Maior do Exército. Para o comando da Aeronáutica está cotado o brigadeiro-do-ar Walter Werner Braer, e para o comando da Marinha, o almirante-de-esquadra Sérgio Gitarana Florêncio Chagas Telles -ambos atuais chefes dos seus respectivos estados-maiores.
O ministro do Exército, Zenildo de Lucena, foi o único que até o fim da tarde de hoje havia formalizado sua saída, por meio de carta. Ele marcou a festa de despedida com a tropa para hoje.
Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, a saída encontrada para dar posse a Alvares na sexta foi a de criar o Ministério da Defesa em caráter extraordinário. Como os ministérios do Exército, da Marinha e da Aeronáutica ainda continuarão existindo até que o Congresso vote o projeto de lei complementar que muda a Lei Orgânica das Forças Armadas, a saída foi a de nomear os futuros ministros em caráter interino.
Em conversa com o presidente e com Alvares, esses futuros ministros se comprometeram a se converter em comandantes das forças tão logo seja concluída a mudança no Congresso. ‘‘Que esperamos, seja ainda durante a convocação extraordinária’’, completou Clóvis Carvalho.

mockup