Curitiba - O governo do Paraná vai alugar uma aeronave para uso da administração, ao custo de R$ 22,70 por quilômetro voado. A licitação foi vencida pela empresa Helisul Táxi Aéreo, que ofereceu um valor R$ 0,20 menor que o teto estipulado pela Secretaria de Estado da Administração e Previdência (Seap). O contrato terá duração de 12 meses, podendo chegar a R$ 5 milhões no período. Antes da publicação do resultado, o chefe da Casa Militar, coronel Adilson Castilho Casitas, justificou o procedimento alegando que a antiga prestadora havia solicitado o encerramento do atual contrato, forçando a nova licitação.
''O pagamento funcionará por demanda, ou seja, o Estado só pagará pelo que usar'', alega Casitas. Na ocasião, ele calculou que a despesa anual deve chegar a R$ 2,5 milhões, que é a metade do gasto máximo definido no edital. A aeronave alugada é uma turbo hélice, semelhante à comprada pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) e à licitação feita pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
Em novembro, a Seap realizou uma concorrência pública internacional para adquirir um avião desse tipo, cujo preço máximo poderia chegar a R$ 13,5 milhões. Duas empresas participaram do edital, mas acabaram
desclassificadas. A Synergy Aerospace apresentou preço superior ao estipulado e a Helibras ofereceu uma aeronave diferente da descrita nos documentos da concorrência. Com a desclassificação de ambas, o governo não efetivou a compra do avião. Procurado pela reportagem no final da tarde de ontem, Jorge Sebastião de Bem, da Seap, não foi encontrado para comentar a necessidade de aquisição de um avião pelo governo.
Desde março de 2011, quando o governador Beto Richa (PSDB) fez um contrato emergencial para o aluguel de duas aeronaves, a contratação de táxi aéreo pelo governo estadual está complicada. Na época, a operação foi questinada por deputados da oposição na Assembleia Legislativa (AL) e até o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) participou do debate, apresentando recibos com valor abaixo do contratado por Beto Richa. Depois disto a administração leiloou dois aviões da frota estatal, arrecadando R$ 1,7 milhão.
No final de 2011 a Copel chegou a suspender um pregão para a compra de outro avião, mas concluiu o processo arrematando um turbo hélice King Air por meio da subsidiária Copel Distribuição e Transmissão. Novamente a oposição criticou a medida, acusando o edital de excesso de detalhamento, que poderia levar ao favorecimento de empresas do ramo. O desembolso de R$ 16,9 milhões para a compra chegou a ser questionada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que regula as operações do setor. Um dos pontos levantados pela agência seria a suposta prioridade do governador no uso do avião, em detrimento dos outros acionistas. Em resposta às críticas, Beto anunciou estudo para a compra de mais quatro aeronaves pelo governo do Paraná, cuja intenção não tinha saído do papel até essa recente concorrência da Seap.

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