Curitiba – De 1998 a 2008, quatro alterações nos contratos entre governo do Estado e concessionárias de pedágio provocaram o corte de parte dos investimentos previstos, seja pela retirada completa de obras ou pela redução parcial no que seria gasto. Em alguns lotes de rodovias, as obras foram postergadas para o final do contrato. Praticamente desde o início do mandato de Beto Richa (PSDB), o governo do Estado tenta rever os contratos e incluir obras.
Os contratos foram revisados no ano 2000 após uma decisão unilateral, em 1998, na gestão de Jaime Lerner, de diminuir pela metade os preços das tarifas de pedágio. As concessionárias foram à Justiça contestar a medida e alegaram prejuízos. Com isso, obras de grande investimento, como duplicações, construção de marginais e terceiras faixas foram retiradas.
A Viapar, que tem uma das maiores malhas rodoviárias do Estado para administrar, deveria investir R$ 942 milhões nos termos de 1998 (início da concessão), mas o valor foi reduzido para R$ 600 milhões em 2002. As alterações contratuais mostram, entretanto, que a empresa manteve as obras de maior impacto, como duplicações e terceiras faixas, mas postergou investimentos para o final da concessão. No contrato, segundo a empresa, os investimentos para ampliação nas BRs 376, 369 e 158, além da PR-317, devem ser realizados até 2018.
Na área sob concessão da Rodonorte, a construção de 18 trechos de estradas marginais às rodovias foi retirada e o investimento diminuiu em R$ 100 milhões. A empresa e o governo do Paraná entraram em acordo para a duplicação da BR-376, entre Ponta Grossa e Apucarana, mas o Estado ainda insiste na duplicação da PR-151. Já a Econorte diminuiu de R$ 181 milhões para R$ 169 milhões os investimentos entre 1998 e 2008 – ano em que foi feita a última alteração contratual da concessão que abrange o Norte Pioneiro e parte da Região Metropolitana de Londrina.
Apesar de a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recomendar a revisão periódica dos contratos, desde 2008 as obras permanecem inalteradas. O montante em dinheiro previsto pelas concessionárias foi reduzido durante as alterações contratuais, mas não houve revisão dos valores estimados de cada obra, nem a atualização da inflação ano a ano. A duplicação da BR-369 no Norte Pioneiro tinha previsão de investimento de R$ 35 milhões no ano 2000. A obra está prevista para ser realizada e concluída somente em 2021, último ano da concessão, mas ainda é considerada como se custasse R$ 35 milhões (o valor atualizado pode ser menor ou maior).

Lucratividade
A reportagem da FOLHA teve acesso a números enviados para a CPI do Pedágio da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná que indicariam uma alta taxa de lucro líquido das empresas. No caso das três concessionárias que operam em rodovias do Norte do Paraná (Econorte, Rodonorte e Viapar), a taxa seria maior que 20% e chegaria perto de 35% em relação à receita bruta no ano de 2012. Os números seriam um indício de reserva para a realização de obras nas estradas.
A ABCR não confirma qual seria o lucro, que precisaria ser calculado somente após o término do contrato. De acordo com a associação, o lucro obtido em um ano poderá ser investido em obras futuras, o que pode, da mesma forma, se transformar em prejuízo no futuro (na hora de fazer a obra, o valor guardado pode ser inferior ao necessário para a execução do investimento, levando a empresa a aportar capital para honrar o contrato).

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