O ex-diretor administrativo-financeiro da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), Eduardo Alonso, foi interrogado ontem pelo juiz da 3 Vara Criminal, José Marcos de Moura.
Alonso é um dos sete réus na ação criminal ajuizada pelo Ministério Público (MP), pelo desvio de R$ 49 mil da companhia através de fraude em uma licitação. A denúncia gerou a prisão preventiva do ex-delegado Regional do Trabalho, Celso Costa, no dia 24 de setembro, acusado de ter falsificado assinaturas no processo licitatório e de ter coagido testemunhas, em benefício da sua empresa, a Celta System, que venceu a concorrência.
Após três horas de interrogatório, Alonso afirmou que não tinha conhecimento da fraude. ''Ao contrário das outras que denunciei, eu não sabia dessa. Houve falha na entrega dos envelopes, parece que foram dadas as propostas das outras empresas ao Celso Costa e ele teria falsificado. Eu não mandei entregar. Da maneira que está colocada nos autos, (a licitação) é totalmente irregular '', afirmou.
Apesar dos três cheques estarem assinados por Alonso, no último pagamento, realizado em 2 de setembro de 1999, o ex-diretor afirmou que já havia deixado o cargo na Comurb. ''Eu deixava os cheques assinados e fui demitido da companhia, no dia 27 de agosto de 1999. Quem assumiu a Comurb na mesma semana foi o Celso Costa.'' Conforme Alonso, na época da licitação, Costa foi visto diversas vezes na companhia.
O interrogatório do ex-diretor estava inicialmente agendado para o dia 6 de maio, em Rondonópolis, onde Alonso reside atualmente. ''Compareci expontaneamente. Tinha uma consulta médica e prestei alguns esclarecimentos ao Ministério Público e vim dar a minha versão dos fatos'', justificou.
No entanto, o advogado de Costa, João dos Santos Gomes Filho, alega que o ex-diretor da Comurb, que é réu colaborador do MP, foi conduzido a 3 Vara Criminal pelas promotoras Solange Vicentin e Leila Voltarelli, o que seria uma ''falha funcional''. ''Vou guerrear o afastamento das promotoras. Me causa muita espécie essa atitude das promotoras após eu ter impetrado o habeas corpus versando sobre o excesso de prazo. Com o interrogatório de Alonso, vou desistir do habeas corpus'', disse o advogado. Na semana passada, o Tribunal de Justiça do Paraná negou liminar ao recurso. As promotoras não foram localizadas.

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