O ex-diretor-financeiro da antiga Comurb (atual CMTU) Eduardo Alonso de Oliveira, afirma ter recebido pelo duas propostas de suborno durante as investigações sobre desvio de recursos da Prefeitura de Londrina. Uma delas teria sido feita pelo ex-secretário de Governo Gino Azzolini Neto. Outra tentativa tentativa de suborno teria partido do deputado federal José Janene (PPB), em nome do deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSL), filho do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). Ele prestou estas informações anteontem, ao juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, em uma das ações criminais sobre os desvios.
Segundo Alonso, na época em que passou a dar entrevistas revelando detalhes do esquema de corrupção na administração Belinati, Azzolini Neto o procurou, ofereceu R$ 5 milhões e pediu para ele desaparecer. ‘‘Quem começa a falar isso é porque quer alguma coisa’’, teria dito Azzolini Neto. O advogado do ex-secretário, Omar Baddauy, rebateu: ‘‘Não vou comentar declarações deste cidadão; a matéria será tratada no processo.’’. Azzolini Neto não foi localizado. Alonso começou a falar sobre o caso no segundo semestre de 1999.
Janene teria procurado o ex-diretor, alegando que estava transmitindo uma proposta de Antônio Carlos, no valor de US$ 200 mil, para que não prestasse depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI), aberta pela Câmara de Londrina com o propósito de apurar as denúncias. Alonso disse que a proposta teria sido feita no apartamento de Janene, em Londrina.
Janene teria telefonado para para Cassimiro Zavierucha, o ‘‘Carlos Júnior’’, apontado como tesoureiro de campanha de Belinati. Após a ligação, Janene afirmou que U$ 50 mil seriam pagos ‘‘naquele momento’’. Ao recusar a proposta, Janene teria dito a Alonso que deveria ter ‘‘cuidado com sua mulher e seus filhos’’. Ontem à noite, por telefone, Janene reagiu às declarações de Alonso com ataques e ameaçou processar o repórter. Segundo ele, as acusações não existem e a reportagem da Folha ‘‘tem sido tendenciosa’’.
Durante seu interrogatório, Alonso também afirmou que 60% a 70% do dinheiro desviado da Comurb teria financiado a campanha do deputado Antônio Carlos. Ele disse acreditar que o restante foi usado para aumentar o patrimônio da família Belinati. O deputado Belinati não foi encontrado.
No interrogatório, o ex-diretor da Comurb relatou que em ‘‘certa oportunidade’’, o ex-prefeito Belinati lhe disse que precisava arrecadar R$ 3 milhões porque ‘‘tinha que resolver problemas em Curitiba’’. Alonso disse que após essa conversa assinou 23 procedimentos, porém não sabe se o dinheiro foi entregue a deputados para o arquivamento da CPI da Sercomtel na Assembléia Legislativa.
Alonso também voltou a responsabilizar Belinati e seus ex-secretários pelos desvios, principalmente Azzolini Neto e Wilson Mandelli (Governo). Alonso disse ainda que em certa ocasião foi procurado pelo assessor Carlos Arruda, tendo gravado o momento em que ele dizia que teria ido buscar dinheiro ‘‘a mando’’ de Mandelli. Mandelli tem negado sistematicamente as acusações.

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