O ex-diretor adminstrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, reafirmou ontem ao Ministério Público denúncias de manipulação e fraude na tarifa do transporte coletivo de Londrina. Ele havia feito as acusações à imprensa e elas chamaram a atenção do promotor de Defesa do Consumidor, Hélio Cardoso, que decidiu abrir um inquérito civil público para apurar o caso.
Em depoimento ao promotor, Alonso disse que a planilha de custos que serve de base para fixação do valor da tarifa é manipulada em benefício das empresas que operam o transporte em Londrina – Transportes Coletivo Grande Londrina (TCGL) e Francovig. ‘‘Quero mostrar que não há seriedade na formação da planilha. E também expor o relacionamento estreito das empresas de ônibus com o poder público’’, justificou.
À noite, uma emissora de televisão trouxe uma entrevista com uma pessoa, não identificada, que acusou o prefeito Antonio Belinati (PFL) de receber R$ 100 mil mensais das duas empresas.
Alonso acrescentou que o ex-membro do Conselho Administrativo da Comurb e apontado como tesoureiro da família Belinati, Carlos Zavierucha, o ‘‘Carlos Júnior’’, representaria interesses da TCGL na companhia. Da mesma forma, o sobrinho do prefeito, Dante Guazzi Belinati, defenderia a Francovig. De acordo com o ex-diretor da Comurb, Dante Guazzi teria determinado, inclusive, a entrada da Francovig no sistema, sem licitação. A tentativa de quebra do monopólio do transporte coletivo é um assunto que se arrasta na Justiça há anos.
O depoimento foi o primeiro do inquérito, aberto na última sexta-feira. Para comprovar as supostas irregularidades, o ex-diretor levou ao Fórum planilhas referentes a dois períodos diferentes, onde houve aumento no valor da passagem: maio de 1997 e abril de 1998. Para cada período, havia duas planilhas distintas, sugerindo aumentos diferenciados.
Alonso explicou que as diferenças eram possíveis porque o número de passageiros por quilômetros rodados (chamado ‘‘IPK’’) foi manipulado. Com menos passageiros, o valor da tarifa deveria ser maior; e vice-versa. Nas planilhas de maio de 97, por exemplo, os valores da nova tarifa sugeridos eram de R$ 0,76 e R$ 0,71. A prefeitura acabou adotando o valor maior, arredondando para R$ 0,75. Em abril de 98 – ano eleitoral – as planilhas indicavam valores de R$ 0,83 e R$ 0,85. Desta vez, o valor adotado foi de R$ 0,80.
Eduardo Alonso lembrou que a Francovig há mais de um ano não paga à Comurb a taxa de 6% sobre a arrecadação da empresa para o gerenciamento do sistema. Em maio do ano passado, ele chegou a notificar a Francovig mas a resposta veio por meio de um despacho assinado pelo ex-secretário de Governo, Wilson Mandelli, dizendo que o assunto estaria sendo tratado pelo gabinete.
O promotor disse que irá mandar as planilhas para uma análise da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele não descartou a possibilidade de lacrar as catracas do Terminal Urbano para saber se há manipulação no número de passageiro.

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