Alonso acusa. Azzolini nega
O ex-diretor-administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, citado nos depoimentos de Menna Barreto ao MP como o responsável por recolher e repassar o dinheiro de licitações e cartas-convites fraudadas, reconheceu ter cometido as irregularidades, mas garante que fez tudo ‘‘com determinação superior’’. Ele negou, porém, que tenha dito para o empresário de Curitiba que o dinheiro se destinava à campanha eleitoral. ‘‘Ele negociava direto com o Gino porque é intimamente ligado ao ex-secretário’’, afirmou Alonso, referindo-se ao ex-secretário de Governo da Prefeitura de Londrina, Gino Azzolini Neto.
Ele disse que, no começo, Menna Barreto levava documentos e cheques para Curitiba; numa segunda etapa repassava os cheques para Gino e, num terceiro momento, deixava os cheques com Alonso. ‘‘Eu levava para o Gino e ele que sabia os valores e os destinatários. Só fui o portador’’.
Alonso disse que o depoimento de Menna Barreto é importante porque ‘‘começam a aparecer os verdadeiros destinatários do dinheiro’’. ‘‘No final das investigações, vai ficar claro que o Gino e o prefeito eram os verdadeiros mandantes’’, acusou. Belinati não quis responder.
O ex-secretário, por sua vez, negou as denúncias. Ele informou que só autorizou licitações até 30 de outubro de 98 e, no caso da Comurb, a realização das licitações era de responsabilidade da companhia. ‘‘Os atos praticados pela Comurb eram de responsabilidade dela e esse jogo de empurra tem que acabar. Não tenho participação nenhuma em nenhum ato irregular’’.
Gino Azzolini confirmou conhecer Menna Barreto. ‘‘Eu o conheci em 93 ou 94. Ele era assessor da prefeitura de Campo Mourão e foi tratar de um assunto da prefeitura na Copel, onde eu era diretor. Anos mais tarde, em Londrina, ele me procurou dizendo que era urbanista e estava prestando consultoria urbanística. Eu o encaminhei à Comurb, como faria em qualquer outro caso. Só isso’’. (P.Z.)