Almeida rejeita aliança e doações de empresas
Um candidato radical. Assim pode ser qualificado o ex-deputado José Maria de Almeida, representante do PSTU na disputa presidencial deste ano. Candidato pela primeira vez, José Maria foi ao extremo também nos moldes de sua candidatura: decidiu não se coligar a nenhum partido nem aceitar a doação de recursos por empresas privadas para a sua campanha. Não quero ter o rabo preso com ninguém, justificou. Quem aceita doações, não governa sozinho, garante.
Militante dos movimentos sindicais, José Maria começou sua carreira política no ABC paulista, ao lado de Luís Inácio Lula da Silva, com quem fundou o PT, partido e candidato que hoje merecem apenas as suas críticas. Ele abandonou as bandeiras do partido e o sonho de construção do socialismo no Brasil, reclamou. E erra com as alianças que fez, diz. Essa aliança não soma forças, acrescentou.
Ele critica a política de alianças fechada pelos partidos de esquerda e também o presidente Fernando Henrique Cardoso. Pretende também mudar o Plano Real. O meu plano real ideal inclui o congelamento dos preços, salários mais altos e pleno emprego, avisou. A resposta para o maior problema social brasileiro, o desemprego, vai na mesma linha. José Maria promete reduzir a jornada de trabalho para 35 horas semanais, sem nenhum corte nos salários, e introduzir uma escala de trabalho móvel.
Também é preciso elevar o salário mínimo e o salário do conjunto da população, adiantou. Segundo ele, empossado, uma de suas primeiras providências seria definir um cronograma de reajuste salarial para que o salário mínimo alcançasse o valor de R$ 800,00. Mas, de qualquer forma, o mínimo seria imediatamente dobrado, garantiu José Maria.
Além disso, ele defende a introdução de um agressivo plano de obras e reforma agrária para ampliar a oferta de trabalho. Nós queremos cortar essas cercas e dar a terra para o trabalhador, garantiu, reiterando que, a idéia é fazer a desapropriação de terras sem o pagamento de indenizações. Segundo José Maria, ainda seria necessário aumentar expressivamente a taxação sobre as empresas privadas. É preciso reduzir a lucratividade das empresas. O grau de exploração é enorme, comentou.
RótuloPara o candidato do PSTU, a solução dos problemas econômicos do País passa pela suspensão do pagamento das dívidas interna e externa, pela estatização do sistema financeiro privado e pela reversão do programa de desestatização, sem o ressarcimento dos investidores que já compraram as empresas privatizadas. O governo faz qualquer coisa por um tapinha nas costas do Clinton, disse José Maria, referindo-se ao processo de abertura da economia encaminhado por Fernando Henrique Cardoso. A riqueza do País não pode ser apropriada por umas poucas pessoas.
Dissidente do PT, que deixou há seis anos para fundar o PSTU, José Maria promete fazer uma campanha forte, colada nos movimentos sociais. Fernando Henrique vai usar cada vez mais a estabilidade para ganhar as eleições, mas precisa explicar por que não cumpriu suas promessas. Para ele, o presidente será derrotado no segundo turno e o seu PSTU deve sair dessas eleições fortalecido, apesar do discurso radical. Nós não temos medo do rótulo de radical, disse o candidato. Para ser bem franco, sem mudanças radicais, sem tocar nos interesses de alguém, não se muda este país. (D.O.)





