O ex-vice-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Marcio José de Almeida prestou depoimento ontem ao Ministério Público (MP) no procedimento que investiga as denúncias de irregularidades contra a administração da instituição. O depoimento de Almeida foi tomado de forma sigilosa no prédio da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e seu conteúdo não foi divulgado pelo MP. Por mais de duas horas, o ex-vice-reitor foi questionado pelos promotores Cláudio Esteves, Solange Vicentin e Bruno Galatti.
Ao deixar a PIC, Almeida falou com a reportagem da Folha, mas não quis revelar detalhes do que contou aos promotores. ‘‘Foram as mesmas declarações que eu tinha feito na carta-renúncia. As outras informações que eu prestei são de uso do Ministério Público. Não entro em detalhes’’, afirmou. O ex-vice-reitor disse ainda que não entregou documentos aos promotores.
Almeida também preferiu não comentar se foi questionado sobre as supostas gravações telefônicas, nas quais Itaicy Mendonça (chefe de gabinete do reitor Jackson Proença Testa) pediria comissão a empresas que prestam serviços à UEL. ‘‘Todas as minhas declarações são de uso do Ministério Público, não tenho nenhuma notícia a dar’’, repetiu.
No dia 13, logo após renunciar ao cargo de vice-reitor da universidade, Almeida disse à imprensa que ouviu gravações telefônicas comprometendo Itaicy. O ex-vice-reitor chegou a falar que ‘‘as conversas entre Itaicy e as pessoas são do tipo: cadê o dinheiro?’’
Uma das conversas telefônicas mencionada por Almeida teria sido gravada por um empresário assediado por Itaicy. Segundo o ex-vice-reitor, o chefe de gabinete falava em nome do reitor da universidade.
A primeira denúncia contra o chefe de gabinete da UEL partiu do apresentador de TV de Maringá, Márcio Mello. Segundo ele, Itaicy teria recebido um estorno de R$ 7,4 mil por um contrato publicitário entre a universidade e a Rádio Nova Ingá, do ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira.
Ontem à tarde, o delegado do 3º Distrito Policial (DP), Carlos Sakuma, esteve reunido com o promotor Galatti. Sakuma investiga o furto de computadores na reitoria da UEL, quatro dias após a primeira denúncia contra Itaicy ter se tornado pública. Um dos equipamentos levados era usado por Itaicy. Na semana passada, o ex-vice-reitor afirmou que, após as denúncias de Mello, um parente de Itaicy teria apagado informações de um computador na reitoria.
O Instituto de Criminalística (IC) está analisando fitas cassete e fitas de vídeo, recolhidas na universidade pelo MP por indicação de Almeida. No início da noite de ontem, a Folha apurou que algumas fitas contêm conversas telefônicas, porém o teor delas está sendo mantido em sigilo.
O chefe-adjunto do IC, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, afirmou que ainda não é possível saber o conteúdo das fitas. Segundo ele, os peritos estão assistindo e ouvindo a todo o material, que será catalogado e depois encaminhado à Polícia e ao MP.

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