Aliciamento de votos em MS vira inquérito federal
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terça-feira, 08 de setembro de 1998
Rubens Valente Agência Folha 
A Polícia Federal abriu ontem inquérito para apurar as denúncias de aliciamento de eleitores, em Campo Grande (MS), por meio de uma rede formada por 2.000 cabos eleitorais contratados a R$ 150 cada um. A PF também poderá apurar a acusação, feita pelo próprio candidato a deputado estadual denunciado, Ronaldo Cunha (PL), de que a campanha do Partido Liberal é financiada com recursos do governo do Estado. Cunha declarou ontem que está disposto a entregar todas as provas contra o PL e o governo no depoimento que prestará à PF.
Ele disse já ter sido intimado e deverá ser ouvido ainda hoje pela manhã na sede da Superintendência da PF. Em entrevista à imprensa, na última sexta-feira, Cunha disse que o governo fez um repasse de R$ 3 milhões ao PL, com intermediação do presidente da Assembléia Legislativa, Londres Machado (PSDB).
O presidente do PL, Bernardo Lahdo, em participação no horário eleitoral, disse que o candidato será questionado judicialmente sobre as acusações. Lahdo afirmou que há 15 dias vem sendo pressionado por Cunha para liberar dinheiro para a campanha do candidato.
A denúncia foi protocolada pela Coligação Pela Vontade do Povo. Segundo a denúncia, que foi acompanhada de uma fita de vídeo, o candidato oferecia R$ 150 para que cada cabo eleitoral trouxesse 15 números de títulos de eleitor, além de um prêmio de R$ 5.000 para o cabo que conseguisse mais eleitores.


