Alianças regionais favorecem candidatura Lula
Brasília - O segundo turno das eleições presidenciais e estaduais produz uma nova configuração de alianças que cria uma verdadeira sopa de siglas. Questões regionais e mágoas do primeiro turno estão se sobrepondo ao desejo das cúpulas nacionais dos partidos em pelo menos 12 Estados do País, favorecendo, principalmente, o petista Luiz Inácio Lula da Silva.
Peemedebistas continuam desembarcando da candidatura presidencial do tucano José Serra, apesar de todo o esforço dos líderes nacionais, enquanto setores do PPS e do PTB resistem em seguir a orientação nacional e apoiar o presidenciável do PT.
Ontem, por exemplo, o PPS gaúcho - adversário inconciliável dos petistas - decidiu aderir à candidatura a governador de Germano Rigotto (PMDB) contra Tarso Genro (PT) e ''liberou'' o voto presidencial.
''Acatamos a resolução nacional, mas a tendência da maioria é pelo Serra'', afirmou o presidente do PPS gaúcho, deputado Nelson Proença. Segundo ele, nenhum dos deputados do partido votará em Lula.
O PTB gaúcho, liderado pelo senador eleito Sérgio Zambiasi, deve oficializar posição idêntica ao PPS de Antônio Britto na segunda-feira, apesar de a cúpula petebista ter optado por Lula. O mesmo deve ocorrer com parte do PTB paulista, liderada pelo deputado Campos Machado.
Até mesmo o líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson, anunciou ontem que não seguirá a recomendação da sigla e votará em branco no dia 27.
''No Lula, não voto de jeito nenhum. Não é minha gente, não é meu povo'', afirmou Jefferson, que foi voto vencido na reunião da cúpula.
Em Santa Catarina, ao contrário, o PMDB de Luiz Henrique Silveira aderiu à candidatura Lula de olho no espólio de 56,6% dos votos que o petista teve no primeiro turno no Estado - o maior porcentual do País.
A onda Lula, acreditam os peemedebistas, pode ajudar Luiz Henrique a derrotar Esperidião Amin (PPB) na disputa pelo governo do Estado.
''O Serra me liberou com sua preferência por Amin'', justificou o peemedebista, que já foi cotado para vice do tucano, referindo-se a um encontro entre o governador catarinense e o presidenciável do PSDB no primeiro turno.
Desavenças regionais também estão levando o PMDB do Piauí, da Paraíba e de Goiás para os braços de Lula. Em Minas Gerais e no Paraná, o apoio se deve a uma tendência oposicionista da maioria do partido, enquanto no Maranhão o motivo é pessoal, já que o senador José Sarney (PMDB) atribui a Serra a saída de sua filha, Roseana Sarney (PFL), da disputa presidencial.
O PFL do Maranhão também oficializou ontem seu apoio a Lula, apesar de a cúpula do partido orientar o voto em Serra.





