Aliança PT/PMDB deve ser menos ampla que em 2002
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segunda-feira, 07 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os presidentes dos diretórios estaduais do PT, André Vargas, e do PMDB, Dobrandino da Silva, reuniram-se ontem pela primeira vez para discutir as eleições municipais deste ano. O objetivo do encontro era buscar a reedição da aliança entre as duas siglas ocorrida em 2002, quando os partidos se uniram no segundo turno das eleições para governador em torno do então candidato Roberto Requião (PMDB). As chances de uma aliança ampla, porém, saíram reduzidas após as primeiras negociações.
Segundo Vargas, falta nos dois partidos uma autoridade que pudesse coordenar esse tipo de negociação, o que na avaliação de Vargas deveria ficar nas mãos do governador. ''Seria ideal que, por exemplo, o PMDB apoiasse o PT em Londrina e nós oferecessemos a contrapartida em Foz do Iguaçu. Porém, esse tipo de acordo esbarra em muitas dificuldades regionais. A solução vai acabar sendo a discussão caso a caso mesmo'', destacou Vargas.
Outro entrave a uma coligação desse porte é a disposição do PT nacional em fazer com que o partido lance candidatos no maior número de municípios possíveis. O objetivo é utilizar o tempo de propaganda eleitoral e o palanque dos prefeitos para divulgar as realizações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além de alavancar Lula, uma base maior de prefeitos eleitos facilitaria a governabilidade do presidente até 2006.
A filosofia do ''Agora é Lula'' foi exposta pelo próprio presidente nacional do PT, José Genoino, em um encontro com lideranças municipais do partido no Paraná realizado sábado, em Ponta Grossa. Cerca de mil militantes compareceram ao encontro, que também teve a participação do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e de vários parlamentares petistas paranaenses. ''As transformações realizadas pelo governo federal não chegaram ainda ao conhecimento da população. Mas desta vez cada candidato terá na ponta da língua as realizações do governo Lula'', disse Genoino.
Mas se o PT já pensa em uma reeleição de Lula em 2006, as discussões sobre as eleições para governador no mesmo ano estão praticamente vetadas. Os boatos de que José Dirceu teria anunciado uma candidatura própria do partido para a sucessão de Requião foram desmentidos pelo pré-candidato do partido a prefeito de Curitiba, Angelo Vanhoni. ''Se ele disse isso, foi num contexto informal. A orientação nacional é que as eleições nos estados não sejam discutidas neste momento. É prematuro'', apontou Vanhoni.


