Curitiba - A votação do projeto que aumenta o salário dos secretários estaduais serviu também para mostrar que a aliança entre o PT e o PMDB no Paraná está cada vez mais ameaçada. Ontem, pelo menos quatro dos nove deputados do PT já sinalizavam com uma separação entre os dois partidos, aliados desde as eleições para o governo de 2002.
O mal-estar entre as duas siglas começou logo após o final do segundo turno, quando o PT, apoiado pelo governador Roberto Requião (PMDB), perdeu em três das quatro cidades que disputou a prefeitura. Logo após o resultado, o presidente estadual do PT, André Vargas, insinuou que a postura crítica de Requião em relação ao governo Lula poderia ter causado a derrota, o que acirrou os ânimos entre os partidários das duas siglas.
Ontem na Assembléia, os deputados petistas Padre Paulo, Pedro Ivo e Tadeu Veneri também manifestaram seu descontentamento com a aliança, votando contra o aumento dos secretários. Apenas o líder do governo, Natálio Stica, e os deputados Elton Welter e Hermes da Fonseca defenderam o projeto. Angelo Vanhoni e Luciana Rafagnin não compareceram à sessão de ontem.
Os deputados estão descontentes com o tratamento dado pelo governo, que não apóia os projetos de autoria dos deputados. Um exemplo é a lei de Veneri que diminuía para 30 horas a carga horária dos servidores da saúde. A lei foi aprovada pela Assembléia e defendida pela liderança do governo, mas vetada no dia 3 de novembro, logo após as eleições. ''Se eu fosse o Stica, entregava o cargo. Ele defendeu o projeto aqui e depois o governador vai lá e veta? É um desgaste desnecessário para o PT. Eu defendo que nós tenhamos uma postura de apoio crítico ao governo, e não incondicional como vem acontecendo'', criticou Veneri.
O deputado Padre Paulo também criticou a postura do governo com a base aliada. ''O Requião tem um apoio que não chega nem a ser barato, é gratuito. Ele não atende as nossas reivindicações e mesmo assim quer o apoio. Ficamos aqui como ovelhas, enquanto nossos projetos são retidos no Palácio Iguaçu'' desabafou Padre Paulo. (R.S.)

mockup