Curitiba - A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de liberar alianças nos Estados para os partidos sem candidatos à Presidência da República, favorece, num primeiro momento, a composição de uma aliança governista no Paraná. Isso só acontece, entretanto, se o PFL não lançar candidato próprio à corrida presidencial. Caso o partido não reate com o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e lance candidato próprio, o PFL paranaense fica automaticamente isolado no Estado.
O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB) – um dos principais articuladores de uma ampla coligação governista local – disse que as costuras entre seu partido e outras siglas governistas vão continuar. Brandão não descarta nem um possível apoio do PMDB. Segundo ele, a partir do dia 5 de abril – quando vence o prazo para as desincompatibilizações – as conversas serão intensificadas.
O governador Jaime Lerner (PFL) defende uma aliança entre PFL, PSDB, PTB, PPB, com o objetivo de eleger seu sucessor. Pefelistas avaliam que o TSE ‘‘suavizou’’ a verticalização. Para o líder governista na Assembléia, Durval Amaral (PFL), se a legenda não coligar nacionalmente deve se preocupar em fazer uma grande bancada, fortalecendo o partido. Para ele, uma bancada forte é mais importante até que a candidatura própria.
O senador Alvaro Dias, pré-candidato do PDT ao Palácio Iguaçu, avalia que ‘‘dessa forma não se coloca uma camisa-de-força nos partidos’’. Por enquanto, por força de um pré-acordo nacional, PDT, PTB, PPS e PTN são aliados. Segundo o presidente estadual do PTB, deputado Valdir Rossoni, nada mudou para o partido, que continua amarrado à pré-candidatura de Alvaro. Rossoni, no entanto, garante que apóia Lerner até o último dia de governo.
O presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene, disse que o partido não deve lançar candidato ao Planalto nem coligar no plano nacional, para ficar livre nos estados. Ele lembrou que a manifestação do TSE foi em resposta à consulta do PPB. De acordo com Janene, a executiva pepebista deve se reunir depois do feriado de Páscoa para debater o rumo das articulações.
O senador Roberto Requião (PMDB), pré-candidato ao governo, protestou. Definiu o pronunciamento do TSE como ‘‘o samba do crioulo doido’’. ‘‘A emenda é pior que o soneto’’, disse à Folha, de Brasília. ‘‘Se a verticalização tinha alguma lógica, as novas regras instituem a esculhambação’’.
Requião vê contradição entre as duas medidas. ‘‘Primeiro, eles agrupam, forçando as seções regionais dos partidos a submeter-se à coligação nacional. Agora, eles espalham, permitindo composições díspares’’.
Com a pré-candidatura própria do PT no Estado (o deputado Padre Roque Zimmermann), o PMDB perdeu, em tese, um aliado. ‘‘O PT nos deixou na orfandade’’, reclamou Requião.

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