Aliança entre PT e PL torna-se cada vez mais remota
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terça-feira, 18 de junho de 2002
João Domingos<BR>Agência Estado 
Brasília - Aumentaram muito as dificuldades do PT e do PL para fechar uma coligação que lançaria a chapa Luiz Inácio Lula da Silva e o senador José Alencar (MG) para disputar a sucessão presidencial. A aliança já é tida como sonho do passado. À exceção dos presidentes dos dois partidos - deputados José Dirceu (SP), do PT, e Valdemar Costa Neto (SP), do PL -, ninguém mais acredita que o acordo sairá. Mas o PL só vai anunciar a sua decisão hoje à tarde.
Dirceu e Costa Neto, que se reuniram ontem, analisaram o quadro eleitoral nos Estados, a situação de seus partidos e concluíram que a situação é muito difícil. A pressão para que a aliança não seja feita cresceu muito. E nos Estados do Acre, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará, Santa Catarina, Alagoas, Amapá, Rondônia e Roraima nem PT nem PL querem a coligação. Cada dia que passa a situação fica mais difícil, disse Costa Neto.
A solução poderá ser o apoio informal do PL a Lula. Nesse caso, não haveria problemas, porque nos Estados o PL faria as coligações que lhe fossem mais convenientes. Como não há rejeição a Lula, na disputa presidencial eles pediriam o voto para o petista. O PL tem muitos deputados que são pastores ou bispos da Igreja Universal do Reino de Deus. Eles se comprometem a pôr a foto de Lula na Folha Universal, órgão de divulgação da Igreja, e a dizer que o candidato do PT é o melhor.
Costa Neto disse que foi quem mais lutou para a coligação com o PT. Se não fecharmos a aliança será uma pena, porque Lula é a melhor opção para o País. Gostaria que nossa base entendesse isso, afirmou. Ele tem no senador José Alencar um reforço poderoso na luta para levar o PL para a candidatura presidencial do PT. Mas admitiu que esse nunca foi um acordo fácil.
Certo é que, no encontro de ontem com José Dirceu, Costa Neto deixou para os petistas o destino da coligação. Com isso, caberia à Executiva do PT garantir que a coligação seria respeitada nos Estados, sem discriminação aos liberais.


