As divergências entre os partidos integrantes da frente das esquerdas sobre o que farão com as empresas privatizadas caso vençam as eleições ficaram evidentes ontem, ao fim de uma reunião da coordenação do programa de governo da aliança, na sede nacional do PDT, no Rio. O pedetista Vivaldo Barbosa afirmou que a eventual retomada será ‘‘uma decisão de governo’’, mas o petista Aloizio Mercadante ressaltou que não será tomada nenhuma medida à margem da Justiça e sem haver antes uma avaliação jurídica rigorosa.
Mesmo a auditoria sobre o programa de privatização, consensual entre os partidos, divide-os quando discutem a forma. ‘‘Será uma avaliação jurídica ampla, e também contábil, que examinará as privatizações a partir da licitude, conveniência e consequência’’, disse. Ao lado dele, Barbosa defendeu uma investigação ‘‘política’’ e levando em conta o ‘‘interesse nacional’’. ‘‘Não é apenas uma questão jurídica’’, afirmou. Mercadante evitou responder diretamente às perguntas sobre eventuais reestatizações de Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), que tem leilão marcado para o dia 29. ‘‘Não vamos tomar nenhuma medida preliminar, sem estar sustentada economicamente, juridicamente, tecnicamente, qualquer que seja o processo’’, disse.
O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, lembrou que o próprio Brizola dissera que as opiniões expressadas não são da aliança, mas dele (Brizola). ‘‘Há posições diferenciadas dentro da frente’’, afirmou. Mercadante confirmou que uma das proposições em estudo é a cobrança de um imposto sobre o lucro das empresas privatizadas, como na Inglaterra.(AE)

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