Curitiba - A ala do PMDB resistente ao acordo com os petistas para as eleições de 2010 promete se mobilizar. O plano deve se sustentar na tese que coloca o acordo entre as duas siglas como fruto de uma decisão unilateral da cúpula do PMDB, e não consequência de uma posição partidária. A estratégia foi sinalizada ontem como uma espécie de ''última cartada'' pelo senador Pedro Simon (RS/PMDB), ontem em Curitiba para receber uma homenagem da Assembleia Legislativa do Paraná. Segundo Simon, o acordo com o PT está sendo construído ''à revelia de uma decisão de legenda''. O senador se refere ao grupo do PMDB responsável pela articulação da aliança. ''É fato que PMDB e PT estão se aproximando para 2010, mas não tenho visto reuniões partidárias. É um 'comando' que toma as decisões sozinho. Há uma inversão'', criticou ele.
Embora exista uma ala do PMDB próxima ao PSDB de José Serra, Simon acredita que reuniões partidárias devem deliberar agora pela candidatura própria à presidência da República, o que enfraqueceria a tentativa da cúpula de apoiar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Simon afirma que o PMDB tem nomes para disputar a presidência da República. Ele defende Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, e o paranaense Roberto Requião. ''Numa eleição na qual se prevê dois turnos de disputa, não se firma aliança agora'', declarou Simon. Ele afirma ainda que Dilma Rousseff é um nome de ''imposição'' do presidente Lula.
O senador acredita que a ala de peemedebistas que defendem a candidatura própria ''tem força'' e apoio de ''vereadores, prefeitos, eleitores''. ''Mas há um comando do partido que tem vários cargos no governo Lula. São sete ministérios. Eles têm a máquina na mão'', disse ele. Pelos cálculos do senador, a candidatura própria recebe o apoio do PMDB de Goiás, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Requião
Presente ontem na homenagem ao senador gaúcho, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), disse em rápida conversa com a imprensa que concorda com a candidatura própria do PMDB à presidência da República desde que haja ''um plano de governo''. ''O que o PMDB quer para o futuro do Brasil? Tendo um programa de governo, nós temos condição de discutir a possibilidade de uma candidatura própria ou de fazer uma coligação. Sem um programa de governo é um acordo entre pessoas, que não abrangerão nunca o conjunto das forças peemedebistas do Brasil'', afirmou Requião. O PMDB do Paraná está organizando para o dia 15 de novembro uma reunião nacional da legenda.
Requião também negou sua aproximação com o PMDB de Orestes Quércia, que apoia a aliança com o tucano José Serra. Ele confirmou que conversou com Quércia, mas negou que o cenário político tenha sido um dos assuntos tratados no encontro. ''O Quércia tem outra visão. O PMDB de São Paulo quer apoiar o Serra. Não é minha posição. Apoiar o Serra hoje seria a mesma coisa que partir para um acordo sem programa. Apoiar o Serra por quê? Porque ele é lindo, mais bonito que a Dilma, melhor do que os candidatos que o PMDB pode ter, mais engraçadinho que o Ciro Gomes? Não é por aí. A gente define o que quer para o País e em cima disso o partido lança candidato, ou coliga'', afirmou Requião.

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