O governador Jaime Lerner (PFL) acredita que a aliança do PPB com o PTB-PFL, em torno da sua reeleição em 98, é apenas uma questão de tempo e que a maioria do partido aprova a costura. ‘‘As coisas em política nunca acontecem da noite para o dia. Eu saí da conversa com o ex-prefeito (Paulo) Maluf com a certeza de que há interesse na aliança. O que precisamos é pavimentar o resto’’, disse o governador, pela manhã, depois de uma cerimônia no Palácio Iguaçu. As declarações de Lerner foram uma resposta à avaliação feita na última terça-feira pelo comando estadual do PPB.
O presidente do partido, José Janene, afirma que cabe ao PPB do Paraná definir o seu rumo político, sem interferências. O partido trabalha com três opções: lançamento de candidatura própria, coligação com o governo ou aproximação com a oposição. A avaliação do grupo de Lerner contrasta com a da cúpula do PPB. Para o governo, o jantar com Maluf foi proveitoso e serviu para avançar nas conversas. As resistências à aliança se restringiriam a Janene e ao deputado federal Ricardo Barros (que coloca seu nome como pré-candidato ao governo). Os aliados de Lerner entendem que as ameaças de lançamento de Barros ao Palácio Iguaçu não passam de tentativa de ele e seu partido se manterem na mídia.
Na avaliação extraoficial dos governistas, o PPB está adiando as conversas com o grupo de Lerner numa tentativa de valorizar o ‘‘passe político’’ para o ano que vem. O partido dá sustentação ao governador Jaime Lerner na Assembléia Legislativa desde o início do seu mandato, em 95. Mas nunca conseguiu cargo ou secretaria de Estado. Atualmente, segundo os governistas, estaria pressionando Lerner a entregar o comando do Porto de Paranaguá (hoje sob administração de Osires Stenghel Guimarães), cargo que traria rendimentos eleitorais para o partido no ano que vem.
O grupo de Lerner aposta ainda nas diferenças entre Maluf e o relator da CPI dos Títulos, senador Roberto Requião (PMDB), para forçar o pacto com o PPB. Requião acusou o ex-prefeito paulistano de ter se beneficiado do esquema fraudulento dos precatórios. Os contatos PPB-PSDB, no entanto, estão em andamento.
José Janene diz que Maluf repassou para o partido a responsabilidade de fechar ou não um acordo com o ex-governador. ‘‘Com relação a Requião, vamos deixar as coisas para mais tarde. Existem ainda muitas arestas, em virtude da CPI’’, admite. Para o dirigente pepebista, o ex-prefeito de São Paulo foi claro e objetivo ao determinar que cabe ao comando estadual a condução do processo. A Folha tentou confirmar as informações junto a Maluf, mas a sua assessoria em São Paulo disse que o ex-prefeito não quer se manifestar sobre o teor da conversa. (L.D.)

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