A crise interna do PMDB tomou conta do plenário do Senado ontem, com o novo discurso do presidente nacional do partido, senador Maguito Vilela (GO). Depois de pregar o rompimento com o Planalto, Vilela abriu agora um confronto direto com o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), que o desautorizou a atacar o governo em nome dos peemedebistas.
O presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que, até então, ocupou o foco de todas as acusações, assistiu, impassível, à discussão e, ao deixar o Congresso, preferiu endossar a polêmica, reforçando a tese da candidatura própria. ‘‘O partido está firme, grande e forte e, se bobear, fará o próximo presidente da República’’, afirmou Jader, que ressalvou, no entanto, que só a convenção de setembro pode resolver uma saída da base governista.
Irritado, Vilela admitiu a possibilidade de antecipar a convenção nacional da legenda para esclarecer as divergências. Ele pretende fazer uma reunião da executiva com os líderes, para definir de que lado está a sigla, na próxima semana. ‘‘Sempre defendi o rompimento, 90% dos peemedebistas querem isso e eu ouvi as bases’’, avisou ele. ‘‘Enquanto eu estiver na presidência do PMDB, as bases mandarão, e não a cúpula.’’ Vilela advertiu que não pode ir à tribuna condenar o tratamento que o governo dispensa à agremiação e ser desautorizado pelo líder.
Segundo ele, não é possível que um pré-candidato do PSDB, como o governador do Ceará, Tasso Jereissati, diga que não pode conviver com banda podre do PMDB. ‘‘Quem é esta banda podre e por que só agora o governo descobriu, depois de cinco, seis anos, que há essa banda podre?’’, indagou Vilela, acrescentando que o ministro da Sa© úde, José Serra, também está na imprensa, anunciando que o PMDB não é parceiro indispensável. ‘‘Será que o governo quer justificar todos os seus fracassos em função do PMDB?’’
A defesa do governo foi feita pelos senadores José Fogaça (PMDB-RS), que assinou o pedido de CPI com o objetivo de investigar corrupção, condenada pelo Planalto, e Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO). ‘‘Convivemos durante sete anos com o governo e não podemos, de repente, avisar à nossa base que vamos apoiar outro candidato, contra tudo o que defendemos, numa espécie de apunhalamento de nossa idéias’’, afirmou Fogaça.
O senador gaúcho defendeu ainda o estabelecimento de um protocolo de conduta política entre todas as siglas que compõem a base, com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Pelo acordo, o presidente teria de comprometer-se a não privilegiar e a não favorecer nenhum candidato de qualquer agremiação da base aliada.
Campos, que é líder interino do PFL, acusou o PMDB de querer aproveitar um momento de dificuldade do governo para ‘‘abandonar o barco’’. ‘‘Para pular do barco, é preciso saber a distância do cais e o fôlego dos nadador’’, ironizou. ‘‘Nós, que integramos a base aliada, temos obrigação de manter a estabilidade política que está sendo ameaçada com essa disputa’’, acrescentou.

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