Brasília - Os integrantes da CPMI das Sanguessugas escolheram ontem, por 19 votos a favor e três em branco, o deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) como presidente da comissão parlamentar. Biscaia foi indicado pelo líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), e era o único candidato à vaga.
Coube ao deputado a escolha do senador Amir Lando (PMDB-RO) para a relatoria da CPMI. Lando foi ministro da Previdência do governo Lula e presidiu a CPI do Mensalão, que terminou sem a votação de um relatório final. ''Temos que ter noção da responsabilidade neste momento. Sempre tive uma visão crítica contra os excessos de algumas CPIs'', afirmou Biscaia ao assumir a presidência. ''Não chegar ao prazo final sem um resultado concreto. Por isso, o quórum é essencial'', acrescentou. Na próxima sessão, marcada para quarta-feira da próxima semana, os integrantes da comissão elegerão o vice-presidente e definirão a agenda de investigações.
Biscaia também afirmou ontem que integrantes da CPMI indicados por líderes partidários e que estejam no foco das investigações da comissão podem ser impedidos. Na listagem da Polícia Federal de suspeitos de participação no esquema de desvio de recursos do orçamento para a compra fraudulenta de ambulâncias estão três deputados que trabalharão na CPMI: Mario Negromonte (BA), líder do PP, Benedito de Lira (PP-AL) e Inaldo Leitão (PL-PB). Biscaia não quis, no entanto, adiantar-se sobre cada caso por não ter analisado a documentação já existente sobre as investigações. ''Eu não tenho conhecimento dessa listagem. Pretendo examiná-la a partir de quarta-feira'', afirmou. ''A partir daí, o regimento tem regras de pessoas que estariam impedidas para a função. Vamos analisar e não vamos previamente estabelecer nenhum tipo de posição'', concluiu.
O presidente e o relator da comissão querem fazer visitas ao Ministério Público, Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal para buscar documentações sobre as investigações que estão sendo feitas sobre a compra fraudulenta e superfaturada de ambulâncias com recursos do orçamento. ''Vamos fazer visitas para buscar manancial de provas'', disse o relator.
A CPMI tem prazo de 30 dias prorrogáveis por mais 30. As investigações, no entanto, serão interrompidas durante o recesso de outubro e podem ser prejudicadas pelo recesso branco em função do período eleitoral. (Com Agência Brasil)

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