A convocação do ministro Pedro Malan (Fazenda) para depor na CPI dos Bancos é, até o momento, defendida apenas pela oposição. Os aliados do governo só admitem a convocação do ministro se surgirem indícios de seu envolvimento em atos irregulares. O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e os líderes governistas argumentam que as investigações ainda não revelaram nenhum dado que comprometa Malan. ‘‘Esse é um assunto da CPI. Entretanto, pelo que sei, ainda não há razão para convocar o ministro. Se houver, será feito’’, afirmou ACM. Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) considera que ele deve depor para explicar as razões da demissão de Francisco Lopes da presidência do Banco Central.
Segundo Suplicy, Malan também pode saber detalhes das operações de salvamento dos bancos Marka e FonteCindam, ocorridas no dia 14 de janeiro, pois no dia 16 o ministro viajou a Washington acompanhado de Lopes. ‘‘Será que eles não conversaram sobre esses temas? É como se o pai e a mãe, diante de uma estripulia extraordinária de seus filhos, viajassem e não conversassem sobre aquilo que provocou tanta tensão na casa’’, comparou o senador petista. A oposição tem apenas dois representantes entre os 11 integrantes da CPI - Suplicy e o senador Saturnino Braga (PSB-RJ).
Na opinião de ACM, a CPI deve agir ‘‘com cuidado’’ em relação a Malan. ‘‘É preciso levar em conta que a principal figura da equipe econômica, que negocia todos os dias créditos e outros valores para o País, não pode sofrer abalo desnecessariamente.’’
O presidente do PMDB e autor do pedido de criação da CPI dos Bancos, senador Jáder Barbalho (PA), que é suplente na comissão, tem dito que ‘‘até o papa poderá ser convocado, se for necessário’’. Mas, por enquanto, ele considera precipitado falar em chamar o ministro da Fazenda. Para o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), propor a convocação de Malan agora é ‘‘transformar a CPI em palanque político’’. O também tucano José Roberto Arruda (DF), vice-presidente da CPI, afirma que votará contra todas as propostas ‘‘que têm como objetivo transformar os depoimentos em shows’’.
O presidente e o relator da CPI, Bello Parga (PFL-MA) e João Alberto (PMDB-MA), afirmam publicamente que, até o momento, não há nada que justifique a convocação do ministro. Todos negam a existência de um acordo entre os governistas para evitar que Malan seja atingido pelas investigações. ‘‘Ninguém está imune a uma convocação. Se surgirem fatos, tudo poderá acontecer’’, disse Parga. Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), que também integra a CPI, afirmou que votará contra a convocação do ministro ‘‘se a motivação for política’’. ‘‘No momento, não há motivo para convocar’’, afirmou Campos.
No rastro que o escândalo do sistema financeiro do País está deixando, o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, também quer aproveitar para esquentar sua campanha pela renúncia do presidente Fernando Henrique. Brizola disse ontem que seu partido é ‘‘mais lúcido’’ que o PT na análise da crise vivida pelo País e age com acerto ao pregar a saída de FHC.
‘‘Nós temos mais história, mais experiência acumulada e estamos vendo claramente que o País caminha para uma situação incontrolável’’, afirmou Brizola, para quem FHC não tem mais condições de tirar o Brasil da crise.

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