Aliados se unem em defesa da Lei Kandir
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quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaLuiz Carlos Hauly: Lei tirou o país do atraso e agora estamos competindo lá foraLíderes dos partidos aliados ao governo e parlamentares que fazem parte da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara atribuem à reclamação dos governadores do PSDB contra a chamada Lei Kandir o anúncio feito pelo ministro interino da Fazenda, Pedro Parente, de que o Palácio do Planalto quer discutir e apóia uma proposta de reforma tributária profunda. Foi uma resposta às queixas dos governadores. Mas os deputados acham que a Lei Kandir não pode ser extinta; no máximo, aperfeiçoada.
O presidente da Comissão de Finanças, Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), relator da Lei Kandir, disse que o governador Mário Covas (PSDB) não tem nenhuma razão ao reclamar de prejuízos que teriam sido causados pela desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para exportação de produtos primários e semi-elaborados, um dos principais pontos da lei que vem gerando toda a polêmica. O outro ponto importante é a isenção de ICMS para a compra de máquinas industriais.
O Covas deveria fazer uma homenagem a esta lei, que levou o Brasil para o time dos países competitivos, tirou o País do atraso, gera milhões de empregos, disse Hauly. A discussão que os governadores estão travando - outro que ao lado de Covas, reclama muito, é o de Minas, Eduardo Azeredo - é de uma mediocridade sem tamanho, afirmou ainda o presidente da Comissão de Finanças. Com esta lei, estamos redimindo o País, estamos olhando para o futuro e não para o passado, afirmou.
A deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), também da Comissão de Finanças, disse que a Lei Kandir não pode ser de forma nenhuma revogada. Trata-se de uma reforma tributária definitiva, afirmou. O que o ministro Pedro Parente está dizendo que o governo vai propor é mais uma etapa da reforma tributária, mais profunda, mais radical, que deverá se somar à Lei Kandir. Yeda disse que toda reforma tributária deve ser feita em cima de experimentos, e a Lei Kandir mostrou ser eficiente e estar no caminho certo.
Para a deputada, está na hora de o governo estudar uma proposta de reforma tributária para ser a primeira tarefa do próximo Congresso, que tomará posse em fevereiro de 1999. Até lá, temos de votar leis para ajudar na reforma tributária porque a emenda constitucional que trará o fim dos impostos em cascata é tarefa para a próxima legislatura. Yeda, que foi a relatora da emenda constitucional da prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), disse que a Lei Kandir deu ao governo a chance de ver parte da reforma tributária funcionar.
O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), afirmou que está na hora de o governo mandar ao Congresso a proposta de reforma tributária para valer. Não separo reforma tributária de Lei Kandir, nem de FEF, e nenhum destes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), afirmou Geddel. Acho que a reforma tributária deve ser uma prioridade do governo porque todos estamos vendo que ela é fundamental para o País, continuou ele.
O deputado José Genoíno (PT-SP) disse que, ao anunciar o apoio a uma nova proposta de reforma tributária ao Congresso, o governo tenta sair da defensiva. O governo não consegue aprovar as reformas administrativa e da Previdência e, para não passar a imagem de não fazer nada e de não ter controle sobre seus aliados, fica anunciando algumas propostas, disse. É mais um conjunto de conversa fiada.


