Aliados se unem a favor do referendo
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terça-feira, 21 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
Arquivo FolhaNos bastidoresFranco Montoro, o articulador: apoio até do presidente FHC
A tese de se submeter um novo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso ao referendo popular, defendida por setores simpáticos à reeleição, deverá mudar o foco das articulações no Congresso essa semana. O deputado Franco Montoro (PSDB-SP) promete apresentar hoje ao plenário da Câmara o apoio de mais de 300 deputados ao Movimento pela Consulta Popular, lançado por ele semana passada. Atuando na mesma causa, o senador Roberto Freire (PPS-PE) havia conseguido até ontem a adesão de 26 senadores ao manifesto.
Para justificar o sucesso de seu movimento, que consiste na votação de uma emenda aglutinativa (que substituiria a emenda aprovada na comissão especial) prevendo a reeleição e automaticamente um referendo popular para legitimá-la, Franco Montoro contava ontem com as manifestações recebidas de vários partidos em favor da tese. O presidente do PPB, senador Esperidião Amin (SC), foi um dos que procurou Montoro para declarar que a direção do partido apóia o referendo.
Montoro conta também com a manifestação do deputado Afonso Camargo (PFL-PR), da Executiva do PFL, que ontem telefonou para o colega para dar a garantia de que seu partido também é favorável à idéia. Os integrantes do Movimento pela Consulta Popular somam também o apoio de boa parte das esquerdas, como a bancada do PSB e adesões do PDT e de setores do PMDB que estão contra a reeleição.
Até o PPB
de Maluf
dá apoio ao
referendo
Esta é a fórmula politicamente mais viável e mais democrática para se ter a aprovação do Congresso e da opinião pública à reeleição, defendeu Franco Montoro. Segundo o tucano, o avanço das discussões em torno do referendo, ao qual ficaria atrelada a emenda da reeleição aprovada semana passada na comissão especial da Câmara, poderá viabilizar a votação da proposta até a próxima semana. Tenho a impressão de que a emenda poderá passar com uma votação consagrada, porque o próprio presidente da República concorda com o referendo, afirmou Montoro.
O senador Roberto Freire acredita que uma garantia dos líderes do governo de que a base aliada aceita o referendo diminuiria sensivelmente a resistência dos que prometem votar contra a reeleição da forma como prevê a emenda. Freire condenou, entretanto, o uso da consulta popular como um remédio para suprir a falta de votos.
A idéia do referendo foi proposta pelo próprio PT na votação da emenda da reeleição na comissão especial. O objetivo do PT era dificultar a aprovação da emenda na comissão. Como a emenda passou, o partido, mesmo em tese favorável à consulta popular, não apóia a emenda aglutinativa que o Movimento pela Consulta Popular está propondo. Seria uma incoerência, diz José Genoíno (PT-SP), lembrando que o PT votou contra a reeleição na Constituinte e na revisão constitucional.


