Os deputados da base do governo perderam a paciência com os senadores do PMDB e decidiram votar a emenda da reeleição nos dias 28 e 29. Em resposta aos senadores, que se reuniram na noite de quarta-feira e na manhã de ontem para pedir à Câmara a votação da emenda no dia 5, os deputados ofereceram uma alternativa: a eleição de seu próprio presidente nesta data. ‘‘Não há possibilidade de votação dos dois assuntos no mesmo dia’’, afirmou o líder do governo na Câmara, Benito Gama (PFL-BA).
O comando político da reeleição e os líderes dos partidos aliados ao governo reuniram-se ontem, mais uma vez, na casa do presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), para fazer as contas dos votos favoráveis à emenda. Desta vez foram previdentes e não anunciaram números definitivos. Mas concluíram que dá para obter os 308 necessários à aprovação de uma emenda e alguns outros, para certo alívio.
O líder do PMDB, Michel Temer (SP), prometeu que arranja 50 votos e vai trabalhar para avançar um pouco mais. ‘‘Se o Michel Temer conseguir 60 votos será um herói’’, disse o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Temer estava reunido com os colegas do comando da reeleição quando tocou o telefone. Era o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA). Perguntava se não era possível negociar a votação para o dia 5. Temer respondeu que a decisão fora tomada: dias 28 e 29.
Da reunião na casa de Luís Eduardo participaram o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, Inocêncio Oliveira, Michel Temer, o líder do PSDB, José Aníbal (SP), o vice-líder do PMDB Geddel Vieira Lima (BA), que ajuda o líder na busca de votos, e o contabilista oficial do governo, o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS). Foram identificados problemas no PMDB de Goiás, do Pará e da Paraíba, dois dissidentes no PFL, um no PSDB e votinhos pingados no PL, no PSB e no PDT.

‘‘Se o Temer
conseguir 60 votos
será um herói’’
(Inocêncio)


Na noite de quarta-feira o PFL ofereceu um jantar para a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL). O líder Inocêncio Oliveira sentou-se ao lado dela o tempo todo e saiu convencido de que as informações sobre uma possível dissidência de Roseana não tinham fundamento. Ela prometeu os votos do PFL do Maranhão e contou que problema grande mesmo só com o deputado Pedro Novais (PMDB-MA).
Mesmo com todo o otimismo dos governistas, a situação não é tão boa. A semana fecha com muitos problemas para a votação da emenda da reeleição. O PMDB do Senado, por exemplo, continua irredutível na sua tentativa de vincular a reeleição à votação do presidente da Casa. O PMDB insiste em fazer de Íris Rezende o sucessor do presidente José Sarney (PMDB-AP).
O deputado Alberto Goldman (PMDB-SP) afirmou que a convenção do PMDB, feita no dia 12, está levando o partido para um caminho perigoso. ‘‘Estamos passando para a população a imagem de um partido que só pensa em um projeto de poder, que é as presidências da Câmara e do Senado, algum ministério e postos importantes.

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