Aliados se estranham em meio à crise
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sábado, 20 de março de 2004
Agência Estado 
Brasília Alguns ministros entre eles o chefe da Casa Civil, José Dirceu puderam respirar mais aliviados na sexta-feira. ''Depois de tudo que passamos nos últimos 35 dias, já era hora'', disse um deles, referindo-se principalmente à notícia de que o comércio tivera alta de 6% nas vendas de janeiro.
Foi o fato mais positivo depois de semanas de tensão, que culminaram em agressões generalizadas dos aliados e na sugestão do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, para que o governo corresse atrás do divã de algum psicanalista.
Ficou demonstrado que quanto mais a crise aperta, mais as reações são destemperadas. Na segunda-feira, na cerimônia de posse do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que substituía Anderson Adauto, o deputado Valdemar Costa Neto (SP), presidente do PL, partido do novo e do ex-ministro, atacou o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. ''O Palocci tem competência para ser prefeito de Ribeiro Preto, mas não para ser ministro da Fazenda de um País deste tamanho'', disse o deputado. ''Jornalista defende jornalista, engenheiro defende engenheiro, metalúrgico defende metalúrgico e banqueiro, como Meirelles, só defende banqueiro.''
Costa Neto conseguiu irritar todo o governo. O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, exigiu que o PL divulgasse uma nota. A resposta mais irada saiu do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS). ''Ele (o deputado) estava bêbado para dizer uma besteira daquelas.'' Costa Neto não sustentou suas palavras. No dia seguinte, disse, humildemente: ''Exagerei.''


