Um grupo de 18 governadores aliados ao governo federal reúne-se hoje à tarde para defender o cumprimento dos contratos de renegociação das dívidas estaduais firmados com a União. É uma resposta política à moratória de 90 dias decretada pelo governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), na semana passada. A defesa à manutenção dos contratos será formalizada em documento oficial, a ser divulgado ao final da reunião.
Segundo o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), a idéia é mostrar que não ‘‘há nenhuma ameaça de moratória generalizada’’ no País. Ao firmarem posição conjunta pela manutenção dos contratos, esses políticos tentam ajudar o presidente Fernando Henrique Cardoso a manter o episódio restrito à esfera financeira. ‘‘Os contratos foram extremamente favoráveis para os Estados e os novos governadores terão de enfrentar o desafio de arrumar a casa’’, acrescentou Tasso.
Além da moratória mineira, os governadores aliados ao presidente Fernando Henrique Cardoso pretendem discutir a redução das taxas de juros e a necessidade da retomada do crescimento econômico. Articulado pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney, o encontro dos governadores será realizado no Palácio Henrique de La Roque, sede do governo maranhense. O governador do Ceará amenizou o tom das críticas a seu colega mineiro, Itamar Franco, mas foi taxativo ao defender o cumprimento das regras como escopo para uma eventual renegociação. ‘‘É preciso entender o momento do País’’, insistiu Jereissati, um dos mais próximos interlocutores do presidente.
Segundo ele, o Brasil não tem dinheiro para arcar com o ônus de uma nova negociação com os Estados e o impacto de episódios como o da moratória mineira comprometem os objetivos de médio prazo do governo, que é a redução dos juros e a geração de empregos. ‘‘Para isso, é preciso desfrutar de confiança externa’’, disse.

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